O mundo encantado de Nina é povoado por graciosas meninas de olhos grandes e cheios de expressão. Ela faz parte da geração de grafiteiros brasileiros dos anos 90 que se celebrizaram mundo afora criando painéis nos pontos mais descolados do mundo, como Os Gêmeos, Kobra, entre outros. Entre os seus feitos está a pintura na fachada de Kelburn, antigo castelo escocês, um mural gigantesco no Lower East Side, em Nova York, outro na Lincoln Road, em Miami, e exposições em alguns dos principais museus e galerias de arte contemporânea do mundo.

Aqui a artista e conta como está passando por esse momento de pandemia.

“No início tudo era incerto, o tempo de quarentena, a doença, etc. E como era justamente num período em que eu estaria viajando para montar uma exposição no exterior, aproveitei para estudar um novo material de pintura, que fazia muito tempo que queria testar e não conseguia. Também criei uma obra especialmente para trazer esperança, fé e alegria para este momento de incertezas e medo. Esta obra se tornou um print com série limitada e a venda foi super positiva. Continuo trabalhando todos os dias. Pintando e criando.”

A quarentena foi um período de reorganização.

“No início da carreira, meu ateliê era dentro de casa e dividir meu dia entre as tarefas do lar e do trabalho era bem complicado. E agora, com o marido também em home office, precisei novamente rever minhas atividades. Às vezes, acabo me dedicando pro trabalho em momento que deveria estar curtindo ele, e vice versa. Isto foi um desafio, tenho uma tendência muito grande a ser workaholic.”

Do que mais está sentindo falta nesse momento? “De estar com a família toda reunida e com amigos. Minha família é grande e amo nossos encontros barulhentos e divertidos.”

Nos horas vagas aproveita para ver filmes, principalmente os clássicos. “Tenho uma lista dos que vale sempre assistir: O Peixe Grande, Oz: Mágico e Poderoso, A Viagem de Chihiro, A Fantástica Fábrica de Chocolate (1977)”. Está lendo e indica “ O Despertar da Leoa”.

Nina vê essa experiência que estamos vivendo como uma oportunidade pessoal.

“Eu acredito que o mundo todo está passando por uma fase de transformação, um momento de se redescobrir, de se conhecer de verdade, de valorização ao que realmente importa… enfim… um momento para se transformar para melhor. Eu espero de verdade, e desejo isto, tanto pra mim quanto para todos: um novo “eu” melhorado”.

E vê na arte um escape para esses tempos de incerteza.

“É difícil prever como será o “novo normal”, mas com o decorrer da história, vemos que a arte sempre se manteve em pé, se reinventou e continuou envolvendo as pessoas a olhar diferente para o mundo. Então eu creio que ela está aí para trazer um respiro, pelo menos é o que estou buscando no meu trabalho…. momentos de leveza para um período tenso”.

Que a arte traga cores e alegria para todos nesse momento um tanto obscuro!

virnawulkan

Virna Wulkan é jornalista há mais de 20 anos, tendo trabalhado para algumas das maiores redações do país como UOL, Estadão (foram 9 anos como colunista no Suplemento Feminino), Contigo, Playboy e VIP. Além de ter sido colaboradora de veículos como Portal Caras, Glamurama, Marie Claire, Claudia, Boa Forma, entre outras. Sua expertise gira em torno de assuntos ligados à moda, beleza, entretenimento e celebridades – já entrevistou desde Kim Kardashian e Anitta, até Vitor Belfort e Juju Salimeni. Porquê todo mundo tem boas histórias para contar.