Ela é uma comunicadora completa. Vai dos esquetes de humor no Instagram às palestras para empresas, além de escrever colunas sobre comportamento em revistas, entrevistar personalidades em lives e gravar podcasts com profissionais feras do mercado (esses disponíveis aqui no portal da Jovem Pan). E o melhor: em qualquer das suas várias formas de produzir conteúdo tem sempre um olhar diferente, um viés de novidade, aquele algo a mais que torna tudo interessante e que faz o interlocutor querer mais. Deve ser sua sensibilidade aguçada ou a capacidade de expor suas vulnerabilidades com graça. Uma expertise que traz de veículos como as revistas Vogue e Glamour, a qual ajudou a lançar no Brasil, e de sua experiência como repórter na TV Globo. Estamos falando de Mônica Salgado, que abriu sua casa para entrarmos (virtualmente, claro) e ainda dividiu sua sessão de massagem – daquelas coisas inegociáveis que falaremos mais para frente – com a gente.

Como está sendo esse período na sua vida?

“É um momento delicado. A gente vive uma montanha russa de sentimentos e emoções. Cada dia a gente se sente de um jeito… às vezes animada, otimista… outras mal humorada e desnorteada. Eu, que trabalho com conteúdo, vejo que coisas que eu dizia no começo da pandemia já não valem mais. A nossa percepção da normalidade vem mudando muito e rapidamente”.

Dentre as mudanças que experimentaremos daqui pra frente, ela aposta em novos hábitos de consumo. “Sinto isso de forma muito forte, a necessidade e o desejo de operar com o mínimo possível. Uma volta ao essencial. Quais são as coisas que eu consigo viver sem? Até porque minha quantidade de trabalho e a renda diminuíram, então temos que fazer escolhas. O que eu topo deixar de lado e o que eu não abro mão, não negocio. E isso passa por várias coisas, desde as palpáveis e objetivas, até as relações humanas”.

Ela explica.

“Esse consumo voraz, a quantidade insana de coisas que a gente comprava, colecionava e achava que precisava, era muito grande. A gente vinha numa toada desenfreada. Isso vai ser revisto porque estamos descapitalizados e vamos demorar um tempo para voltar ao que era antes. Sem falar na culpa, porque a gente assiste ao que está acontecendo ao redor, como muitas pessoas que estão passando por necessidades básicas ou perdendo o emprego. Então, vamos passar a não consumir mais pela emoção e sim muito mais pela necessidade real”.

E filosofa sobre o pós-quarentena. “A pandemia é um acelerador de futuro e um exacerbador de essência. Tem gente que é mais pessimista e acha o mundo cruel, outras são mais otimistas e vão ver um novo momento melhor. Não tem uma verdade única, uma resposta simples”.

Dentre as mudanças positivas ela cita “a desconstrução dos ídolos ou heróis. Não existe mais aquele ser idealizado, as pessoas são mais humanas e reais, se expõem nas redes sociais. Comportamentos que antes eram tolerados (como assédio ou preconceito), hoje não são mais. Os padrões que antes eram alimentados pela indústria da moda, por exemplo, de exaltar os corpos perfeitos, já caíram por terra e as pessoas hoje exigem ser representadas. Isso é muito positivo para a sociedade. Ninguém é melhor do que ninguém e, que bom que as próximas gerações não vão mais aceitar coisas que não são razoáveis, e que a gente, em algum momento, achava relativamente normal”.

Sobre seus dias de confinamento, ela conta que ‘ticou’ todos os clichês da quarentena.

“Fiz bolo, sofri com homescholling, briguei com marido, saí do grupo da família, fiz dancinha no Tik Tok… só não cortei a franja… rsrs. Tudo o que todo mundo faz nessas crônicas diárias da vida, eu fiz. E milagrosamente a gente acaba se acostumando. Agora que chegaram as férias, estou até com saudades da escola… rs”.

Sim, é a era da resiliência.

virnawulkan

Virna Wulkan é jornalista há mais de 20 anos, tendo trabalhado para algumas das maiores redações do país como UOL, Estadão (foram 9 anos como colunista no Suplemento Feminino), Contigo, Playboy e VIP. Além de ter sido colaboradora de veículos como Portal Caras, Glamurama, Marie Claire, Claudia, Boa Forma, entre outras. Sua expertise gira em torno de assuntos ligados à moda, beleza, entretenimento e celebridades – já entrevistou desde Kim Kardashian e Anitta, até Vitor Belfort e Juju Salimeni. Porquê todo mundo tem boas histórias para contar.