Ela é a mais ‘self made’ das atrizes. Diferentemente da grande maioria delas, alçadas à fama por causa de um bom papel, Mônica não esperou isso acontecer. E, na falta dele, criou o seu próprio personagem… e também o seu texto, sua direção e sua produção. E assim surgiu uma das peças de maior sucesso no Brasil: Os Homens São de Marte… É Pra Lá que Eu Vou. A saga de uma mulher – ou um alter ego da própria – para se acertar num relacionamento amoroso teve um sucesso estrondoso, virou filme do tipo blockbuster e série na tv fechada. Ganhou também uma sequência, o “Minha Vida em Marte”.

Na vida pessoal, Mônica também passou por alguns relacionamentos até encontrar a calmaria na atual relação, com o empresário de eventos Fernando Altério. Aqui a multitalentosa, inteligente, divertidíssima, alto astral… (para ficar em alguns poucos atributos da atriz e apresentadora do Saia Justa, do GNT), abriu um pouco da sua vida durante a pandemia para nós.

Como está passando esse período?

“Para mim, a quarentena se dividiu em várias fases. No início, eu passei 80 dias direto no interior, com o namorado e filhos. Foi um isolamento total. Tive esse privilégio, de poder estar num lugar onde pudesse caminhar dentro do espaço onde estávamos. Também fiquei administrando o dia a dia da minha filha, acompanhando as aulas online dela, que exigem um esforço mental. Fiquei, como muita gente, vendo as notícias o tempo todo… para tentar se informar e se proteger. Mas você percebe que essa quantidade de informação excessiva vai te enlouquecendo, então resolvi selecionar o que iria assistir. Passei então a ler um único jornal diário e a ver um noticiário. Aí comecei a encontrar tranquilidade, afinal ficar em casa me desacelerou. Foi um processo bom. Comecei a ter conversas mais longas, prestar mais atenção em coisas do dia a dia, e isso foi muito positivo. Pude assistir séries com a minha filha, então a nossa relação – que para quem trabalha fora, geralmente é muito corrida e focada na educação – teve esse tempo e foi muito legal! Procurei usar estes momentos desta forma”, conta.

Dentre as coisas que precisou aprender nessa fase em casa, o principal foi “a disciplina da rotina”. Estipulou afazeres para os dias de semana, como acordar cedo, se exercitar, trabalhar, ler e fazer ‘calls’ –  e outros para os finais de semana, assim pode diferenciar os períodos, o que “ajuda na saúde mental”.

“Também aprendi a fazer Tik Tok com minha filha (risos). Acho que quem tem filho em casa, não passou em branco no Tik Tok! E aprendi a meditar. Basta você parar e tentar ficar em silêncio por alguns minutos. É algo que faz bem, então sigo tentando”, comenta a atriz.

Do que está sentindo mais falta e qual é a primeira coisa que vai fazer quando esse período de isolamento acabar?

“Quero ir correndo pro teatro! Fazer peça, subir no palco, pra uma plateia cheia de gente rindo! Quero fazer dois, três espetáculos ao mesmo tempo, de tantas saudades que estou do público e do palco”, afirma.

Entre os livros que marcaram a atriz está “O Oráculo da Noite”, de Sidarta Ribeiro. “Este livro é sobre sonhos, fala de como eles interferem na nossa vida, e que com o capitalismo paramos de escutá-los. Na antiguidade, os sonhos definiam destinos. Hoje eles ficaram em terceiro, quarto, quinto plano! Mas os sonhos dizem muito sobre o que a gente está vivendo, o que a gente é, e o que deve fazer”, filosofa.

O que acredita que vai ser diferente depois dessa experiência?

“Acho que vamos mudar nossos conceitos e valores, sobre o que é essencial e que realmente importa. Entendemos que estamos todos interligados, que precisamos uns dos outros, e que mais do que nunca, precisamos ser solidários. Imagino – e espero – que o mundo caminhe pra esse lugar.”

E tem expectativas para a vida pós pandemia.

“Eu acho que vamos ter que nos acostumar com menos, em tudo. Nos próximos meses enfrentaremos dificuldades, mas vamos ter que encontrar um ‘novo normal’ com mais tolerância, com um olhar mais abrangente pra tudo, entender melhor várias situações. Já estou passando por isso, tudo é mais simples. O menos é bom, afinal o planeta foi desgastado com tantos excessos e por causa disso aconteceu o que estamos vendo. Então, o menos é bem-vindo.”

Que venha essa nova era da simplicidade!

 

virnawulkan

Virna Wulkan é jornalista há mais de 20 anos, tendo trabalhado para algumas das maiores redações do país como UOL, Estadão (foram 9 anos como colunista no Suplemento Feminino), Contigo, Playboy e VIP. Além de ter sido colaboradora de veículos como Portal Caras, Glamurama, Marie Claire, Claudia, Boa Forma, entre outras. Sua expertise gira em torno de assuntos ligados à moda, beleza, entretenimento e celebridades – já entrevistou desde Kim Kardashian e Anitta, até Vitor Belfort e Juju Salimeni. Porquê todo mundo tem boas histórias para contar.