Ela apareceu para o Brasil como vocalista do Dream Team do Passinho, logo foi chamada pela TV Globo para uma temporada em Malhação, depois para Totalmente Demais, Mister Brau… e hoje ela é a Nega Braba, nome de um de seus singles e como ela se define hoje, aos 22 anos.

“Eu tenho orgulho de me colocar dessa forma, eu sou uma nega braba mesmo, olha minha história, quantas dificuldades eu enfrentei para chegar até aqui e quantas pessoas eu represento”, diz ela, do alto de seus 1,2 M de seguidores no Instagram.

É como Nega Braba também que ela apresenta um programa todas as quartas-feiras nas redes sociais, o In The House, em que entrevista nomes como o ator e músico Ícaro Silva e o comediante Yuri Marçal, a quem define como “um gênio da nossa geração”, para discutir, entre outros temas, representatividade e racismo.

O programa foi uma das atividades que ocupou sua quarentena, mas teve de ser interrompido por um período em que, como ela mesma conta, “precisou cuidar de sua saúde mental, que não estava boa”. Assim como muitas pessoas, Lellê sofreu de ansiedade e pânico.

“O início foi bem pesado, essa coisa de ter que ficar em casa sozinha. Não me sentia bem, tinha dificuldade de lidar tanto tempo comigo mesma e os dias passavam devagar. Eu tinha uma vida tão ativa e tive que parar todos os projetos porque o mundo parou…”, explica. “Mas aos poucos fui entendendo que precisava me reinventar. Comecei a fazer aulas de teclado e de inglês, a cozinhar, a cuidar mais de mim mesma e arrumar a casa, o que é uma terapia para mim”, conta.

O assunto foi compartilhado com seus fãs, com quem, segundo ela, “tem uma relação de transparência, e por isso, reagiram de forma positiva”.

Lellê aproveitou o tempo confinada para assistir séries como Olhos que Condenam e ler o livro O Monge e o Executivo – Uma História sobre a Essência da Liderança, de James C. Hunter, que recomenda para todo mundo. “Ele fala sobre a diferença entre poder e autoridade, que é trazer as pessoa com você pelo que você é. Tenho 22 anos, não gosto de ficar falando de política, mas é necessário estar minimamente informada porque essas pessoas que governam estão tomando decisões pelo nosso país”.

Ela ainda não se sente à vontade em sair, mesmo com o afrouxamento da quarentena, mas foi visitar a família e marcou presença nas manifestações do Vidas Negras Importam.

“A gente em casa pode ver as coisas que estão acontecendo… George Floyd, João Pedro, esses foram casos registrados, mas quantos acontecem e não tem repercussão? A gente, como comunidade preta, precisava falar como isso machuca a gente… e com indignação, pois é o que a gente passa todo dia. As pessoas estão cansadas, por isso estão indo para a rua”, diz.

Mas acredita num legado positivo para o pós quarentena. “Acho que vamos melhorar como seres humanos, dar mais valor para o que realmente importa. Aprendemos a refletir e a nos questionar, e isso é muito importante. A gente, como comunidade, está mais unida e a comunidade branca também está se conscientizando”.  No mais, como boa carioca, o que ela quer mesmo é poder voltar a ir para praia e dar um mergulho para se renovar.

“E que esse ‘novo normal’ seja cheio de música para a gente poder dançar”.

Boa, Nega Braba!

virnawulkan

Virna Wulkan é jornalista há mais de 20 anos, tendo trabalhado para algumas das maiores redações do país como UOL, Estadão (foram 9 anos como colunista no Suplemento Feminino), Contigo, Playboy e VIP. Além de ter sido colaboradora de veículos como Portal Caras, Glamurama, Marie Claire, Claudia, Boa Forma, entre outras. Sua expertise gira em torno de assuntos ligados à moda, beleza, entretenimento e celebridades – já entrevistou desde Kim Kardashian e Anitta, até Vitor Belfort e Juju Salimeni. Porquê todo mundo tem boas histórias para contar.