Ela já é um fenômeno. E não é para qualquer uma o topo do estrelato. Ainda mais nascida Daniel Garcia Felicione Napoleão, de família humilde da Vila Formosa, em São Paulo, criada por mãe, tia e avó. Mas o fato é que ela chegou lá, com vários hits no topo das paradas, a drag mais ouvida no Spotify em 2019 (passando Pabllo Vittar), parceria com Léo Santana e 1,7 milhão de seguidores no Insta, entre outros feitos gloriosos… com perdão da brincadeira com o nome. Mas agora parece que a cantora, que ora faz as vezes de ‘rapper masculino’, ora de ‘queer feminino’, caiu de vez nas graças do mainstream, fazendo um feat com ninguém menos do que a ex-BBB Manu Gavassi em seu novo e mais do que bombado clipe musical. Aqui ela abre um pouco de seu coração sobre esse momento de pandemia.

Como tem passado o tempo nesse período?

“Tem sido desafiador e ao mesmo tempo transformador. Todos os dias tenho refletido muito sobre o meu papel no agora. Passei bastante tempo assistindo documentários sobre astrologia e filmes de ficção científica”. Com relação ao lado emocional, ela conta que “os sentimentos têm sido uma montanha-russa, acho que como para todo mundo”. Mas não deixou de ser produtiva. “No momento sinto uma necessidade gigante de amadurecer e me expressar”.

Entre os desafios, um dos maiores foi ter que fazer ela mesma o trabalho todo. “Precisei aprender a captar, salvar e enviar pela internet arquivos contendo a minha voz. Com a quarentena, os estúdios fecharam e passei a gravar tudo de casa”, conta. E foi bem nesse momento que surgiu mais uma das grandes oportunidades de sua carreira.

“Trabalhar com Manu Gavassi foi uma experiência fora de série. Sou muito fã do nível de talento, genialidade e estratégia que ela combina tão perfeitamente em sua obra. Me diverti demais, tanto compondo minha parte para música, quanto batendo texto e gravando as cenas para o curta-clipe. Considero um grande privilégio estar envolvido num trabalho tão grandioso, mesmo num período tão devastador”, conta ela, que seguiu todos os protocolos para que a filmagem corresse bem.

“Antes mesmo de entrarmos no estúdio, rolou teste de Covid-19 em todos os membros da equipe, além de higienização e constantes protocolos de segurança para que pudéssemos estar sem máscara durante as diárias”, relata.

Outro trabalho de peso está para acontecer ainda este ano: a estreia da série “Nasce Uma Rainha”, em que Gloria e Alexia Twister ajudam um aspirante a drag a encontrar seu nome artístico, o visual ideal e a atitude em cena. Estreia em novembro no Netflix. “Ansiosa!”, exclama. Com tantos sucessos acontecendo juntos, ela ainda sente falta de uma coisa:

“Da estrada e dos palcos! Não vejo a hora de retomar ensaios com meu ballet e reencontrar meus fãs”.

Com relação à experiência que o mundo está passando, o que acha que vai mudar? “Espero que essa grande quarentena esteja servindo pra que todos reflitamos sobre como podemos fazer do mundo um lugar melhor num futuro próximo”. E já consegue perceber mudanças.

“Vejo que muitas estruturas e códigos sociais vêm sofrendo transformações relacionadas à pandemia. Pra mim, o novo normal tem sido estudar, produzir e me aprimorar para seguir inspirando”.

Arrastaaaaa!!!

virnawulkan

Virna Wulkan é jornalista há mais de 20 anos, tendo trabalhado para algumas das maiores redações do país como UOL, Estadão (foram 9 anos como colunista no Suplemento Feminino), Contigo, Playboy e VIP. Além de ter sido colaboradora de veículos como Portal Caras, Glamurama, Marie Claire, Claudia, Boa Forma, entre outras. Sua expertise gira em torno de assuntos ligados à moda, beleza, entretenimento e celebridades – já entrevistou desde Kim Kardashian e Anitta, até Vitor Belfort e Juju Salimeni. Porquê todo mundo tem boas histórias para contar.