Já contei por aqui que quando veio o diagnóstico de autismo eu não me permiti sofrer – e a expressão precisa é essa mesma “não me permiti”. Não sei se é bom ou ruim, e Deus me livre de recomendar isso ou aquilo, mas só sei que comigo foi assim.

Na minha cabeça, ficar triste com a constatação da deficiência do meu filho equivalia a estar decepcionada com ele, mas não havia nenhuma decepção, só amor e orgulho. (Guarde esta palavra: orgulho)

Eu não via isso enquanto estava acontecendo, mas olhando para trás entendo que o primeiro passo dado pelo meu cérebro foi encarar o autismo como algo perfeitamente normal, na fronteira do desejável. Quase um superpoder.

Passei a pesquisar incessantemente o TEA como um todo, mas principalmente os casos de autistas mais bem-sucedidos e, a cada “enter”, mais esperança de meu filho também ser um daqueles pontos fora da curva.

Um dia me dei conta que aquela ponta de dor que eu sentia, por mais que tentasse ignorar, era a ferida aberta no meu ego. Meu orgulho ainda estava mais focado em mim mesma como mãe do que no meu filho.

Perceber isso virou uma chave em mim. Me libertou da culpa por sofrer porque entendi que meu luto não era sobre o Maneco, era sobre a minha auto-imagem! Impressionante como o óbvio é tão difícil de enxergar.

É um dado que não encerra as angústias de ser mãe, nem elimina os riscos do meu filho sofrer preconceito, mas me deu boas ferramentas para conseguir separar as coisas e não o sobrecarregar com expectativas.

Joana Santana

Curiosa de nascença, obedeço aos chamados da vida. Por amor e vocação, virei jornalista, esposa e mãe. Meu mundo só fica maior.