Se você está cogitando ir ao exterior nos próximos meses, a situação do coronavírus pode ser um grande empecilho no planejamento. Confira se é preciso cancelar ou postergar a viagem.

 

A ocorrência de infecções por um novo tipo de vírus, o COVID-19 ou 2019-nCoV, popularmente difundido pelo nome de “coronavírus” pela mídia e população geral, tem assustado as pessoas com planos de viajar para fora do país, seja a trabalho ou a lazer. Detectado primeiramente em território Chinês no final de 2019, o Brasil já registrou casos confirmados, com um número que passam de 460 pessoas com suspeita da doença.

Diante deste cenário, é comum haver preocupação com relação a um possível contágio. Quem pretende ir ao exterior nos próximos meses, ou já está com a viagem marcada, tem ainda mais dúvida quanto à segurança de sair ou não do país em um momento como este.

Afinal, é necessário cancelar sua viagem? Respondemos essa pergunta com uma análise da situação, considerando dados de fontes oficiais como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde.

 

Cancelar, postergar ou viajar sem problemas?

Apesar de ser considerado uma emergência de saúde pública de interesse internacional pela própria OMS, não foram emitidas notas de contraindicações para viagens por nenhum órgão oficial até o momento, nem foi declarada situação de pandemia (quando o vírus se espalha por diversos continentes, com casos de transmissão local).

O que está sendo divulgado pelos meios de comunicação de modo geral são recomendações que visam auxiliar no controle da doença – medidas de cuidados básicos como cobrir a boca e o nariz ao espirrar ou tossir, lavar as mãos com frequência, evitar locais fechados e pouco arejados, ou até mesmo o usar máscaras em zonas com grande aglomeração de pessoas.

Já o governo brasileiro recomenda que viagens sejam evitadas se possível, como medida de segurança. Se o seu passeio puder ser adiado, é indicado aguardar um tempo para que o comportamento do vírus seja melhor mapeado, e então você possa seguir viagem sem riscos.

No entanto, há situações em que a ida não pode ser postergada, como acontece com quem viaja a trabalho. Nesses casos, não há problema algum em viajar, mas é imprescindível ter atenção aos cuidados recomendados para evitar contágio com qualquer agente infeccioso enquanto estiver no exterior. Em até 14 dias após o retorno, se você tiver passado por algum dos países da lista de alerta elaborada pelo Ministério da Saúde e apresentar sintomas respiratórios ou febre, procure um posto de saúde para verificar a possibilidade de estar contaminado com o novo coronavírus, ou descartá-la se for alguma outra infecção comum.

 

O efeito real do coronavírus

Vale destacar que o novo coronavírus, apesar de ser uma mutação que requer atenção e de estar causando uma certa apreensão entre a população, não é uma ameaça classificada como extremamente perigosa. Grande parte dos infectados apresentam sintomas de gripe que são contidos após alguns dias. Os grupos que requerem maior atenção são os de pessoas idosas ou portadoras de doenças pré-existentes, as quais podem acabar desenvolvendo complicações após o contágio com o 2019-nCoV, como pneumonia, por exemplo. Para os demais grupos, variando da faixa de crianças a adultos saudáveis, não há motivos para grandes preocupações.

Para efeitos de comparação, o novo coronavírus tem uma taxa de mortalidade bastante baixa (em torno de 2%) até o momento, ainda mais se comparado a epidemias de outros tipos de coronavírus no passado, como a SARS (síndrome respiratória aguda grave) e a MERS (síndrome respiratória do Oriente Médio), cujas taxas de mortalidade são calculadas em cerca de 10% e 37%, respectivamente. A gripe comum mantém uma taxa de casos fatais abaixo de 1%, embora seja altamente contagiosa e potencialmente perigosa para indivíduos de idade mais avançada ou com condições médicas anteriores ao contágio, assim como acontece com o novo coronavírus.

Em todo caso, uma das maiores recomendações para viagens, seja durante um surto de alguma doença ou em períodos de total controle sobre a saúde mundial, é contratar um plano de seguro viagem. Com ele você terá cobertura para atendimento médico caso sofra algum acidente, injúria ou pegue alguma doença, além de ser também assegurado para outras situações, como bagagem extraviada e até mesmo o cancelamento da viagem, dependendo do plano escolhido.

Saiba mais sobre seguro viagem:

 

 

Cuidados a serem tomados

Se você não faz parte do grupo de maior risco e vai continuar com sua viagem em pé, sem problemas. Porém, vale a pena se atentar às seguintes recomendações para se proteger do novo coronavírus e evitar que a doença se espalhe ainda mais ao redor do globo:

  • Lave bem as mãos e com bastante frequência
  • Evite tocar no rosto – mantenha as mãos longe de boca, nariz e olhos
  • Mantenha-se a uma distância de 2 metros de alguém com sintomas de gripe ou resfriado
  • Evite ambientes fechados e com aglomerações de pessoas sempre que possível
  • Use máscaras de proteção em lugares muito cheios, como em aeroportos ou meios de transporte públicos
  • Ao tossir ou espirrar, cubra a boca e o nariz com o braço (e higienize as mãos logo em seguida)
  • Use álcool gel para higienizar as mãos caso não tenha água e sabão no momento
  • Não compartilhe itens pessoais como talheres, toalhas ou copos

Com relação à viagem, atente-se também para os destinos que serão visitados. O maior ponto de atenção fica para locais com maior número de casos confirmados, como a China, Coreia do Sul ou a Itália, em especial o norte do país, região com maior número de infectados recentes. Se estes países estiverem no seu roteiro, talvez seja uma boa ideia repensar no itinerário e refazê-lo para passar por regiões com menos risco de contágio. Assim você contribui com sua própria saúde e reduz o risco de espalhar o vírus após a volta.

Leia mais sobre as implicações do seguro viagem sobre o coronavírus:

 

Conclusão

Se você for uma pessoa saudável, com idade abaixo da faixa etária dos idosos e ter planos de viagens para países que não tem altos índices de casos do coronavírus, não precisa cancelar sua viagem.

Fazer uma viagem internacional no momento, mesmo com o contágio ainda em alta ao redor do mundo e em alguns países em específico, não se caracteriza como um risco elevado de saúde. A grande questão é se atentar para os cuidados básicos de prevenção, já que as recomendações servem tanto para o novo coronavírus, quanto para outros tipos de infecção mais comuns, como forma de evitar o contágio e diminuir a disseminação da doença. 

Sendo assim, fica a critério do próprio viajante sobre sair ou não do país – caso haja possibilidade de cancelar ou adiar a viagem e você estiver muito preocupado, considere deixar para um momento de maior estabilidade da doença. No entanto, se fizer parte do grupo de maior risco, é interessante deixar os planos de viagem para outro momento, já que o vírus pode ser mais agressivo em quem tem mais idade ou algum outro problema de saúde crônico.

Por fim, busque conscientizar quem está ao seu redor sobre a importância de adotar essas medidas básicas, como lavar bem as mãos com frequência e evitar levá-las ao rosto, além de usar sempre o álcool gel para higienizá-las. Somente essas práticas já ajudam muito na contenção de doenças contagiosas, evitando que o vírus se espalhe.

Virginia Falanghe

https://vivaomundo.com.br/

Jornalista, apaixonada por viagens, natureza, aventuras e em compartilhar dicas para ajudar mais pessoas a viajarem mais e melhor. Quando não está viajando, está lendo, escrevendo ou falando sobre destinos do Brasil e do mundo. Já pisou nos cinco continentes e fez algumas paradas longas para morar na Austrália, Estados Unidos, Canadá e Portugal. Atualmente, mora em São Paulo e escreve dicas de viagens no site da Jovem Pan, integra a equipe do programa Mulheres da Pan como especialista em turismo e também é editora-chefe dos sites Dicas de Viagem, Viva o Mundo e Pousadas Incríveis.  Uma boa leitura e ótimas viagens.