Talvez você esteja nesse exato momento se contando que não dá para confiar em ninguém e que está exausta(o) de quebrar a cara acreditando em quem não merece.

Tá certo. Decepção é um sentimento amargo, que dói à beça, principalmente quando é despertado por quem a gente mais amou, ou quem sabe, ainda ame.

A sensação é de perder o chão, o rumo, o prumo e com toda certeza, durante algum tempo, ficaremos descrentes e bastante sensibilizados com o ocorrido.

Não adianta querer passar por cima como um trator, racionalizando tudo, na tentativa de tornar lógico o que é subjetivo e sentido.

Trata-se de sentimento e quando há sentimento ferido o único jeito é respeitar o processo de cura dessa ferida, que sim, incluirá períodos que serão responsáveis pela reorganização de nossas emoções, até nos restabelecermos.

Se essa impactante situação estiver se repetindo na sua vida, não quer dizer que seja carma, cruz ou castigo. O provável é que suas escolhas amorosas reflitam suas crenças internalizadas sobre seu merecimento, sempre atraindo parceiros que correspondam àquilo que lhe soe familiar, validando o que você já acredita e conhece.

É hora de revisar o histórico, vasculhar experiências, lembranças e legados para reformular crenças e permitir novas interações, mais promissoras e diferentes das de sempre, e claro, mais atentos às sabotagens e boicotes que costumam nos levar aos mesmos lugares de antes.

Nós só conseguiremos voltar a confiar quando nos sentirmos mais fortalecidos e autoconfiantes de que na possibilidade de vivenciarmos outra frustração teremos mais respaldo para lidarmos com ela.

Mais amadurecidos e conhecedores de nós mesmos, realizamos que mesmo na existência do medo de sofrer, o desejo de amar é ainda muito maior, sem contar que nenhuma interação será igual a outra. Ninguém é igual a ninguém – ainda bem – e muito menos, nós somos os mesmos de antes.

 

Por Pamela Magalhães

 

Pamela Magalhães

https://pamelamagalhaes.com.br/

Psicológa especializada em relacionamento e apresentadora do podcast Coração Peludo