Sem poder sair de casa devido à pandemia do novo coronavírus, a população sexualmente ativa teve que se reinventar! A tecnologia virou a principal aliada para envio de nudes, sexting (basicamente o compartilhamento de qualquer conteúdo com tom erótico, seja em texto, foto ou vídeo, por mensagem ou rede social) e o que mais a criatividade permitir – além, é claro, de diminuir a solidão, mas é preciso ficar atento a alguns detalhes para que a diversão seja segura.

Ao mandar nudes, ou fazer o sexo virtual, o primeiro ponto é: “você realmente confia na pessoa que está do outro lado”? A partir do momento em que as fotos ou vídeos são enviadas ou compartilhadas pelas redes sociais você perde o controle sobre aquilo, e fica exposto à boa fé do outro.

Algumas situações que podem acontecer:

  • Sexting – ter os nudes divulgados na internet ou sendo alvos de hackers
  • Sextorção – chantagens ou extorsões para a não divulgação das fotos ou vídeos
  • Cyberbullying – bullying através da tecnologia digital a partir da foto ou vídeo divulgados ou vazados
  • Grooming – é o aliciamento, quando outra pessoa usar de manipulação psicologia para ganhar confiança de outra para depois abusar/ganhar dinheiro (adolescentes são os principais alvos
  • Cair em sites de pornografia/pedofilia
  • Revenge Porn – pessoa pode publicar ou divulgar as suas imagens como forma de vingança

Outra regra para o sexo virtual seguro é não manda ou mostrar o rosto ou partes do corpo com características que permitam a identificação, como cicatrizes e tatuagens, ou até mesmo do ambiente em que você está.

Nunca use dispositivos compartilhados para enviar os nudes, e peça para o outro – ainda que você conheça e confie – apagar as imagens! Vale reforçar também que nude ou sexo virtual só é legal quando agrada os dois lados. Nada de mandar fotos de partes íntimas sem que o outro tenha dado tal liberdade. Consentimento é importante também à distância.

Se estes riscos te assustam um pouco e você não se sente preparado para o sexting, uma alternativa é usar o telefone para a função original dele: ligar. Você pode fazer sexo pelo telefone e detalhar o que está fazendo, onde está tocando, onde tocaria o outro, o que gostaria de fazer neste momento – e vale falado ou escrito, ok? Mandar uma mensagem picante, escrever o que faria se estivessem juntos… é o sexting no seu termo original! É um jeito de experimentar novas formas de seduzir e excitar, e que também é um ótimo exercício de criatividade e imaginação.

Que tal comprar um vibrador manipulado à distância e passar a senha para que a outra pessoa controle? Para os casais que estão longe é uma ótima dica, inclusive para o Dia dos Namorados que já está chegando!

Alguns dados de uma pesquisa realizada pelo aplicativo de relacionamento Happn me chamaram atenção, e gostaria de dividir aqui:

31% dos participantes já fizeram “sexting” desde o início do período de isolamento social (16% por mensagens de texto, 10% por fotos e 5% por vídeos). E para 15% a quarentena foi a primeira vez!

A “carentena” também fez com que 62% dos entrevistados se sentissem abertos à parceiros românticos; 73% disseram que não veem a hora do isolamento acabar para terem encontros presenciais.

A distância também fez um número se tornar expressivo: 72% afirmaram terem aderido ao “self love”, o amor próprio! Que tal aproveitar o tempo livre, sem ninguém por perto, para se tocar, se masturbar, se conhecer e sair desta pandemia sabendo todas as partes de corpo que te deixam excitada?

Vamos olhar para o lado positivo dessa situação e, com todos os cuidados e ajudas da tecnologia, vivenciar a sexualidade da melhor maneira possível. A sexualidade é uma fonte de prazer da vida, e principalmente neste momento, a tecnologia pode ajudar a se sentirem conectados, desejados, amados, confortados em tempos de incerteza e solidão e também descarregar a tensão sexual.

paulanapolitano

Psicóloga clínica, pós graduada em Terapia Sexual e em Terapia Cognitivo Comportamental. Também é autora do livro "Sexplicando: sexualidade sem mitos e tabus".