Hoje a minha conversa é com as leitoras que já são casadas ou moram junto! Mas atenção: se você ainda não é, vale também a leitura para evitar futuros erros.

Como você avalia o seu relacionamento? Mudou muita coisa em comparação à época do namoro?

Muitos pacientes me trazem esse tipo de reclamação, e alegam que as demandas da vida de “adulto”, com contas a pagar, preocupações com o trabalho, tarefas de casa e, em alguns casos, a responsabilidade com os filhos, tomam conta da vida do casal, e “falta tempo” para manter a chama acesa. Com a pandemia, então, isso aumentou muito!

É claro que estas coisas são importantes e exigem atenção especial, mas porque deixamos o relacionamento de lado? Gosto de usar uma frase do filósofo grego Epíteto: “os homens não são movidos pelas coisas, e sim pela visão que tem delas”. Todas as obrigações têm a sua dificuldade e tempo para serem feitas, mas muito do peso está relacionado à interpretação.E se interpretamos que “é assim mesmo, só na paixão que o namoro acontece” vamos deixar mesmo de lado a importância do namoro dentro dos relacionamentos de mais tempo.

Para te ajudar a refletir e tentar mudar algumas atitudes para reacender o casamento:

Quando você namorava, provavelmente você se preocupava em estar arrumada, usava roupas que valorizavam o corpo, que faziam se sentir bonita, perfumes especiais, comprava roupas íntimas mais sexys. E hoje? O que está esperando para promover esses pequenos gestos e ações de atração no seu dia a dia?! Tem feito isso com frequência?

Qual era a frequência de demonstrações verbais ou não verbais de carinho e de amor? Dizer “eu te amo” ou demonstrar isso, falar como a pessoa é especial, mandar mensagens, dar carinho, abraços, beijos, ficar abraçados, olho no olho, fazer carícias, priorizar o momento juntos. Qual foi a última vez que você disse “eu te amo” ou fez estas outras coisas?

No início do namoro os beijos são mais intensos, mais demorados, às vezes mais “calientes”, mas como eles estão hoje em dia? Com que frequência vocês se beijam? E como é este beijo: selinho, beijo na testa, na bochecha? Está faltando algo, não?! E os abraços? Ficar abraçados, de mãos dadas… Onde estão?

Se na época do namoro você saia para jantar, ia ao cinema, a bares, viajava e passeava em parques (existia uma expectativa, um planejamento, uma priorização), nada de usar a desculpa da quarentena para não fazer mais nada! Ao invés de ficarem simplesmente assistindo à novela ou se distraindo com o que quer que seja (apenas passando o tempo), por que não preparar um jantar especial, escolher um filme, documentário, show para ver bem juntinhos, ficar na rede deitados juntos, ler um livro com os pés entrelaçados, tomar um banho juntos, uma massagem especial, sair para curtir algo juntos?

O pensamento de que é no começo do namoro que é preciso conquistar, atrair, seduzir, e investir faz parte, mas gestos, demonstrações de amor e carinho não devem mudar no momento do casamento ou quando vão morar juntos. Parece que a interpretação muda, e o comportamento é de não precisa mais fazer nada, pois “o jogo está ganho”.

ALERTA DE ERRO!

É justamente neste momento que é preciso continuar regando a semente para que ela continue crescendo e dando os frutos que se almejam. Ou seja: manter a chama acesa!

É comum achar que os desejos vão aparecer a toda hora, de forma espontânea, seja para sair, abraçar, para estudar, ir ao mercado, mas são poucas as vezes que isso ocorre de forma espontânea. No relacionamento, assim como em várias outras questões da vida, é preciso sair da inércia e da acomodação e buscar aquilo que se deseja e considera importante. Se isto for feito diariamente, com os pequenos detalhes e exemplo citados acima, as coisas fluem mais leves e cheias de amor.

Para fechar com chave de ouro, uma frase da Marta Medeiros que acredito que tem tudo a ver com o nosso tema: “Sem cuidar, nada floresce”. E então, como você tem cuidado do seu relacionamento?

paulanapolitano

Psicóloga clínica, pós graduada em Terapia Sexual e em Terapia Cognitivo Comportamental. Também é autora do livro "Sexplicando: sexualidade sem mitos e tabus".