A maternidade é muito solitária.
Uma hora (uma hora que chega bem rápido), as visitas vão embora.
A gente descobre que a frase “se precisar de alguma coisa, me fala” não é bem por aí.

O marido volta pro trabalho, na maioria das vezes, depois de 5 dias.
E você fica ali, sozinha com aquele ser 100% dependente de você, que não sabe se comunicar e precisa integralmente da sua atenção.

Nesse momento de solidão, muita gente vai embora.
Gente que você amava MESMO.
Gente que você lutou pra continuar.
Que você foi atrás, ligou, convidou pra chá, pra maternidade, pra visita em casa.

Seus “amigos” vão embora depois que você começa a demorar muito pra responder nas redes sociais também.
Muitos deles não fazem ideia do que é ter um bebê e desaparecem com o argumento de que você não é mais a mesma.

Será que dá pra gente continuar sendo a mesma pessoa depois da maternidade?

Você também vai ter a turma que manda uma mensagem, vez em nunca, perguntando como “tá a fase de mãe”.
Essa galera também foi embora, mas não teve coragem de dizer tchau.

A gente entende que a vida é corrida mesmo e que nem sempre dá pra estar presente. O problema é quando o “nem sempre” vira o “quase nunca” e o “quase nunca” vira “nunca mais”.

Mas as notícias são boas, minha amiga!
Tem uma turma que vai escolher ficar.
Essas pessoas podem estar do outro lado do mundo, e vão te ligar com dois meses de antecedência avisando que a passagem tá comprada e que estão vindo te ver.
E mesmo se não der pra vir, tem gente que vai ficar te pentelhando na chamada de vídeo pra babar no seu bebê.
Tem aquela amiga que tá não tá nem aí se você vai demorar 5 dias pra responder ela.
Ela vai estar online quando você precisar.
Tem gente que arruma uma hora entre o trabalho e a aula de inglês pra passar e te dar um beijo.
Que muda o caminho do dentista pra passar na sua casa.
Tem gente que vai te ouvir chorando quando você passar a noite inteira acordada, achando que não vai conseguir.

Essa pessoa vai dizer que você vai conseguir sim.

Tem pessoa que preparou o bolo de mesversário do seu bebê porque o mês quase passou batido, de tão difícil que foi.
E tem gente que te viu poucas vezes na vida e conversa com você virtualmente como se fosse sua amiga de infância (e é muito melhor que isso).

Tem muita gente boa nessa vida.

Gente que escolhe ficar independente de correria, de tempo disponível, de presença física… E o nosso coração sabe que a vida é esse trem cheio de chegadas e partidas, onde a gente nunca sabe quem sobe e quem desce na próxima estação.

Na dúvida, perdoe e abra espaço.

Acolha a dor da despedida dentro do peito, mas permita que entrem no seu coração de novo.

Ainda que a gente corra o risco da despedida, o abraço da chegada e do reencontro compensa.

E esse abraço, minha amiga, é tudo o que eu te desejo nessa semana!

Andressa Rosa

Eu era roteirista, aí virei mãe da Malu e nunca mais consegui parar de falar sobre isso. Hoje tenho um blog, um podcast e muita história boa pra contar!

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