Ouço com frequência reclamações do tipo “sou uma pessoa que tem ausência de autoestima”, “não me valorizo nunca”, “as pessoas sempre se aproveitam de mim, pois nunca acho que sou bom o suficiente”.

De início é importante esclarecer o conceito: Não existe ausência de autoestima. Sempre nos avaliamos de alguma maneira, negativa ou positivamente, consciente ou inconscientemente. O que ocorre é baixa autoestima ou alta (boa) autoestima.

E como isso nos atinge?

Sempre repito que não podemos generalizar os sentimentos e pensamentos. Assim como o que é bom no sexo para uma pessoa pode não ser gostoso para outra, quem está com baixa autoestima pode ser pessimista e negativo, mas não é algo que vale para 100% dos casos.

Alguns pensamentos que podem dar indício de que alguém (ou você mesmo) tem baixa estima são comparações como “a grama do vizinho é sempre mais verdinha”; “a roupa fica sempre mais bonita nos outros do que em mim”; “a vida dos outros é mais feliz ou mais fácil do que a minha”; “os outros são mais bonitos e tem mais dinheiro que eu”, “essa pessoa nunca iria querer ficar comigo”.

Se identificou?

Temos também a alta autoestima (ou boa autoestima, como eu prefiro chamar), que é a capacidade que uma pessoa tem de confiar em si mesma, saber que você tem o direito e merece mesmo ser feliz – é ter amor próprio.

Mas como transformar a baixa autoestima em boa autoestima, e aprender a cuidar melhor de si mesmo? É uma construção, que contempla ressignificação de crenças (terapia pode ser uma excelente aliada) por exemplo, mas também é baseada em pequenos detalhes e que precisa existir todos os dias, mas algumas dicas podem ajudar:

  • Fazer novos amigos; conhecer novas pessoas;
  • Ser reconhecido, valorizado, elogiado e fazer o mesmo com as pessoas à sua volta. (é importante que o elogio seja sincero e verdadeiro. Pense o que gosta na pessoa, ou fica atento as atitudes dela, e quando gostar de algo diga, valorize, elogie);
  • Praticar o bem, desde pequenas e boas ações, ajudando pessoas queridas, a trabalho voluntário.
  • Ter alguém para amar (não precisa ser apenas o(a) parceiro (a). É o amor pela família, pelos amigos, pelos bichos de estimação);
  • Dar risada;
  • Confiar em si e entender que ninguém é melhor que você, porque todos temos qualidades e pontos a melhorar. Dica: “pontos a melhorar” é melhor que “defeitos”, que parece algo imutável. “Ponto a melhorar” está em continuidade e permite a mudança);
  • Praticar atividade física (libera hormônios como a endorfina [calmante natural], dopamina [sensação de prazer] e a adrenalina [que nos dá pique e energia para o dia a dia], além de fazer um bem enorme a nossa saúde física, mental e emocional);
  • Dar menos importância ao que os outros pensam ou dizem de nós;
  • Valorizar mais a nossa aparência interior do que a exterior.
  • Valorizar as nossas qualidades. (Quais são as suas? Se não conseguir elencar sozinho, pergunte às pessoas queridas e de confiança quais qualidades eles veem em você.)
  • Fazer pausas periodicamente para refletir e reavaliar se estamos vivendo de acordo com nossos valores, se estamos priorizando o que realmente importa, e ajustar a rota quando necessário;
  • Se arrumar e cuidar de si (muitas vezes, só nos arrumamos para os outros, a quarentena é um exemplo disso, muitas pessoas se esqueceram, mas porque não fazer por e para nós mesmos?);
  • Dar um forte e longo abraço em alguém. (Estudos comprovam o poder de um abraço, mesmo se a outra pessoa for um desconhecido), com a pandemia, isso pode ficar um pouco adiado, mas demonstre e peça o carinho de outras formas;
  • Sexo (principalmente se feito com alguém especial, com qualidade e intimidade).

 

Por qual ou quais delas você vai começar ou intensificar?

 

paulanapolitano

Psicóloga clínica, pós graduada em Terapia Sexual e em Terapia Cognitivo Comportamental. Também é autora do livro "Sexplicando: sexualidade sem mitos e tabus".