A pergunta pode parecer simples, mas se eu te perguntar se você 1) já deixou de falar algo importante por medo de magoar o outro; 2) respondeu de forma agressiva no calor do momento ou com ironia, sarcasmo; 3) concordou só para não entrar em uma discussão maior; 4) achou que o outro deveria fazer, falar ou entender determinada coisa sem ter que ser explicitado ou por já ter dito em outra oportunidade, qual seria a sua resposta para “boa comunicação no relacionamento”?

Muitos problemas ocorrem em função de falha ou da má comunicação, e com essas atitudes que mencionei acima os casais “engolem muitos sapos”, explodem, ficam chateados e magoados um com o outro, passam a fazer muitas coisas sozinhos, o rancor aumenta e, dia após dia, o distanciamento acontece, afetando também a sexualidade. Aliás os problemas podem ser inclusive na comunicação sexual (o que gosto ou não, onde, como).

E qual a melhor opção para resolver esses problemas? Se comunicar! E não é só falar, mas principalmente a maneira como as coisas são ditas. Quer ver alguns exemplos que levam a esses desentendimentos?

  • Generalizar (“você nunca faz o que eu peço”, “você sempre faz isso”);
  • Acusar de más intenções, culpar por tudo, chantagear emocionalmente e se fazer de vítima;
  • Ameaçar a respeito de algo ou o relacionamento (possibilidade do término)
  • Ser irônico, sarcástico, usar de “alfinetadas”, fazer “caras e bocas” (comunicação passivo-agressivo);
  • Usar pontos vulneráveis da pessoa na comunicação;
  • Interromper a fala do outro;
  • Ser agressivo na fala e tom de voz;
  • Desqualificar as partes boas da relação;
  • Tirar sarro ou desacreditar das promessas de boa vontade e tentativas de colaboração

Se identificou em alguma dessas situações? Ligue o sinal vermelho e reflita: o que você quer com essa forma de comunicação? Está dando certo? Existiria uma maneira mais adequada para atingir aquilo que deseja?

Ao falar sobre algo que não gostou tente deixar claro como você se sentiu, e evite julgar a ação do outro, provavelmente a intenção não foi ferir ou magoar propositalmente. Procure ser empático, ou seja, se colocar no lugar do outro, de acordo com os pensamentos e sentimentos do outro, e ser verdadeiro com você mesmo e com o outro, procurando uma melhor maneira de se expressar. E, claro, saiba ouvir! Todos querem falar, estar certo, e na ânsia de “ganhar” a discussão não ouvem o outro, pois estão formulando a resposta.

A melhor forma para permitir que o outro te conheça é mostrar quem de fato você é, o que sente, quais as necessidades, dialogar quando algo não está bom e reconhecer e elogiar o que está bom. Não esqueça: o “comunicar” do amor pelo(a) parceiro(a) pode ser expressado de diferentes maneiras, e não apenas através da fala.

 

paulanapolitano

Psicóloga clínica, pós graduada em Terapia Sexual e em Terapia Cognitivo Comportamental. Também é autora do livro "Sexplicando: sexualidade sem mitos e tabus".