A versão feminina da camisinha existe no mercado brasileiro há pouco mais de 20 anos, e ainda não conquistou as mulheres.

Ela é uma bolsa de plástico, macio e resistente, que contém dois anéis flexíveis: um na borda externa e outro móvel, que ajuda na colocação, e não deve ser removido.

Apesar de, assim como o modelo masculino, ser um método contraceptivo que previne gravidez indesejada e, principalmente, as IST’s, o preservativo feminino perde em alguns quesitos:

  • preço mais alto do que a camisinha masculina;
  • mais difícil de encontrar do que o preservativo masculino;
  • pelo desconhecimento e pouco uso pode ser considerado mais difícil de manusear;
  • estética que não agrada algumas pessoas;
  • preconceito que ainda existe e impede que as mulheres comprem.

Mas calma, nem só de desvantagens vive a camisinha feminina, pelo contrário.

Algumas mulheres dizem que ela pode funcionar como um estímulo durante a relação, isso porque um dos anéis fica para fora da vagina, e algumas vezes pode roçar no clitóris, estimulando este órgão tão importante para o prazer feminino.

E o preservativo ajuda também na independência. Se você já viveu uma situação de, na hora da relação sexual, o parceiro se recusar a usar a camisinha, com a versão feminina essa proteção pode partir de você

Outras vantagens:

  • Pode ser colocada até 8 horas antes da relação sexual, ou seja, não é preciso parar na “hora H” para colocar o preservativo, como no caso do masculino;
  • Quem tem alergia ao látex (produto mais utilizado no preservativo masculino) pode usar, já que ela é feita de poliuretano, material hipoalergênico (diminui a chance de causar alergia) e até mais resistente do que o látex – o risco de rasgar ou furar é ainda menor;
  • O material é ainda mais fino do que o masculino e ela é mais larga, proporcionando uma maior sensibilidade;
  • Não é necessário retirá-la imediatamente após a ejaculação, pode-se esperar o momento propício, já que o conteúdo de sêmen não tem como sair do lugar, a não ser que a mulher se levante;
  • Não é necessário que o pênis esteja ereto para sua utilização;

Preparei também algumas dicas e dados importantes para que você saiba como comprar, abrir, colocar e retirar a camisinha feminina de forma correta.

1º –  Ao comprar:

  • Verifique se a embalagem tem o selo do Inmetro, a validade, e cheque a embalagem: ela deve estar “fofinha”, com ar dentro, o que indica que não está furada;

2º – Abertura:

  • Nunca se deve abrir a embalagem com algum objeto cortante ou com os dentes. Use os dedos, em uma das laterais que contenham uma “serrinha ou picote” (feitas justamente para facilitar a abertura) e, antes de usar, verifique novamente a validade e se ela está “fofinha”, caso tenha ficado guardada por um tempo;

3º – Colocação:

  • Encontre uma posição em que se sinta confortável. Pode ser agachada (cócoras), com uma perna sobre a cadeira, deitada ou sentada. Na sequência pressione o anel interno até ficar em um formato de número 8 e, com a outra mão, abra os grandes lábios da vulva e empurre o anel interno até o fundo da vagina. Para ter certeza de que ela não ficou torcida, coloque um ou dois dedos na vagina. Verifique também se o anel externo está encobrindo os grandes lábios. Na hora da penetração (da primeira entrada do pênis), é indicado que a mulher segure o anel externo, e guie o pênis por dentro dele.

4º – Retirada:

  • Segure novamente o anel externo, para a retirada do pênis, e gire o anel externo para evitar que não escorra esperma. Puxe delicadamente para fora da vagina, embrulhe em papel higiênico e descarte.

 

É importante lembrar que, toda nova técnica necessita de treino e hábito. Portanto, caso haja uma certa confusão nas primeiras vezes, persista. Praticar sozinha antes também pode ajudar! O primordial é cuidar bem da saúde, e garantir um sexo seguro, além de prazeroso e sem preocupações.

 

paulanapolitano

Psicóloga clínica, pós graduada em Terapia Sexual e em Terapia Cognitivo Comportamental. Também é autora do livro "Sexplicando: sexualidade sem mitos e tabus".