Sem distrações, entretenimento, trabalho, saídas daqui, viagens de lá, presença de outras pessoas ou qualquer álibi de afastamento.

Você pode insistir que tudo isso que você esteja sentindo, seja pela quarentena, por ter que ficar em casa, sem liberdade de ir e vir, com nervos à flor da pele e desesperada(o) sem saber como lidar com tudo e com quem está.

Mas, eu te convido a repensar sobre as pseudo soluções que você imagina para que esse cenário fosse diferente… Na verdade, essa pessoa sempre esteve aí e essas questões visitadas agora, só estão sendo percebidas mais de perto.

Essas dificuldades, desconexão, afastamento, complicações relacionais, incômodos e sombras internas já faziam morada na sua vida, porém, você andava ocupada(o) demais para percebê-las, imersa(o) no trabalho, mergulhada(o) em suas obrigações e tantas responsabilidades, não havendo tempo para ver cada detalhe que na atual situação grita, fere seus olhos e confunde seu coração.

A rotina caótica, o tempo fora de casa, os exercícios, movimentos, interações, trânsito, encontros, reuniões e entretenimentos, preenchiam seu dia a dia, nublando sua ótica do que realmente existia, existe e sempre existiu.

Nesse período em que a condição é “ficar em casa”, aproveite para fazer importantes resgates. Olhe para dentro como jamais olhara, porque agora há tempo para isso. Há tempo para você, para a pessoa com quem você se relaciona e para reconstruções importantes do seu íntimo.

Não há nada de novo nessa pessoa e sim inabilidades de interação para lidar com o que sempre esteve por aí, mas não tinha sua atenção.

Tenha paciência com esse momento, você foi pega(o) de surpresa, mas tudo que há na sua casa não é novidade, são velhas situações conhecidas que andavam camufladas, ignoradas e esquecidas, precisando ser reconhecidas por você, assim como seu universo interno que desejou tanto esse encontro para se tornarem mais cúmplices, afinados, íntimos e integrados.

Encarar nosso relacionamento sem qualquer álibi de fuga não é fácil! Mas pode ser uma oportunidade riquíssima para realizar o que existe e desenvolvermos recursos emocionais fundamentais de comunicação e cooperação do casal.

Vocês podem escolher entre não se suportarem e surtarem ou aprenderem a se ajudar, conversar, criar e se aproximarem.

Pamela Magalhães

https://pamelamagalhaes.com.br/

Psicológa especializada em relacionamento e apresentadora do podcast Coração Peludo