No último mês fiz algumas postagens sobre o Agosto Dourado, mês que simboliza a luta pelo incentivo à amamentação (alimento de ouro, segundo a OMS), lá no meu Instagram.

Mas como o assunto é de suma importância e afeta as mulheres e mães independentemente de alguma data comemorativa, eu quero contar um pouco sobre a minha experiência, e também reforçar esse processo tão especial para o bebê e também para a mãe.

Para começar, acho importante destacar que, assim como faço com os assuntos relacionados à sexualidade, também quero desmistificar alguns tabus e trazer temas pouco comentados a respeito da maternidade e da amamentação.

Durante a gravidez eu e meu marido, Ingo, lemos bastante e conversamos com colegas e especialistas para ter mais conhecimento, e já estávamos cientes que tratar a amamentação como algo instintivo e fácil era uma idealização.

De fato, assim que a Luna nasceu e deu suas primeiras mamadas eu comecei a sentir algumas dores e machucados no seio. Algo normal, afinal de contas ela não sabia pegar, eu não sabia como posicionar, e a pele e o mamilo não estavam preparados para este trabalho intenso. Mãe, pai, filha recém-nascidos!

Tinha lido e ouvido sobre os benefícios do tratamento a laser para preparar melhor a pele e auxiliar na cicatrização, então logo no segundo dia, ainda no hospital, fiz uma sessão, e repeti ao longo da primeira semana.

Mesmo com a melhora, ainda estava difícil, e como tinha lido bastante também sobre a importância da pega correta, procurei uma consultora de amamentação, que foi fundamental para me ajudar a entender a pega, posicionar corretamente a Luna e tirar diversas outras dúvidas – afinal, mesmo no hospital recebi orientações distintas, o que reforçou a tese de que você precisa buscar conhecimento, se cercar de profissionais em quem você confia e não deixar de lado um pouco da intuição de mãe (que também vai sendo construída).

Foi a consultora que me ajudou também a lidar com o excesso de leite! Um privilégio, claro, para a Luna e para outras crianças que eu posso ajudar com a doação, mas no início gerava também um incômodo. A apojadura, ou seja, o processo da descida do leite nos primeiros dias, causou dores, seios ingurgitados, deixou o seio um pouco febril, e eu literalmente vazava leite pela casa – mais uma vez, tinha lido que era importante deixar o peito livre, mas não estava funcionando para mim. Ela me recomendou então a utilizar um top que sustentasse, e me passou uma técnica simples, mas bastante útil: virar o bico um pouco para cima!

Hoje a Luna já está com cinco meses, e felizmente segue mamando super bem, e minha produção também segue alta – e eu doo o leite para o Conjunto Hospitalar de Sorocaba.

Sou muito grata por ter essa conexão, essa retroalimentação e relação dupla de amor com a minha filha (que não acontece apenas com amamentação), e agradeço pelos privilégios não só de possuir o leite, mas também de ter apoio dentro de casa e flexibilidade no meu trabalho para acompanhar a demanda da Luna.

Mas quero reforçar: a amamentação é um aprendizado constante, assim como o maternar e o paternar! Ainda preciso readaptar a pegada da Luna à medida que ela cresce, tenho que me hidratar bastante e sinto cansaço em alguns momentos (tem uma “fabriquinha” funcionando 24h por dia). Sorte a minha poder entender e transformar isso em um processo prazeroso!

 

 

paulanapolitano

Psicóloga clínica, pós graduada em Terapia Sexual e em Terapia Cognitivo Comportamental. Também é autora do livro "Sexplicando: sexualidade sem mitos e tabus".