Você se conhece bem?

A pergunta parece básica, mas o processo de autoconhecimento não é algo tão simples. O tema, que ganhou ainda mais espaço durante a quarentena, com as pessoas se questionando e se analisando mais, é muito mais do que “se conhecer”.

Você provavelmente sabe que gosta mais de doce do que de salgado, e que prefere acordar tarde e beber suco ao invés de refrigerante. Mas o processo do autoconhecimento vai mais além.

Às vezes, com as mudanças ao longo dos anos, podemos nos perder ou desconectar de nós mesmas. Para se conhecer ou se reconhecer é necessário parar, refletir e buscar algumas respostas, que também estão ligadas ao nosso momento. Estar bem ou não pode ser consequência de como estamos lidando com as diversas áreas da vida, que com o tempo nos moldam e nos influenciam, direta ou indiretamente.

Para você entender melhor este processo e refletir sobre seu momento e suas atitudes, separei alguns questionamentos que envolvem diversas áreas da vida:

  • Família – de sangue ou de consideração. O grupo nuclear (com quem você mora) ou a família mais abrangente, que inclui tios (as), primos (as), avôs (as), entre outros

Como está a sua vida familiar?

O quanto tem se dedicado à mesma?

Como é a relação com cada familiar?

Você demonstra os seus sentimentos?

Você gostaria de melhorar a relação com algum deles? Com quem e como

seria?

Você acha que tem feito a sua parte em busca de uma família mais unida? Isso

é importante para você?

  • Vida afetiva – coração e sexualidade

Como está o seu coração afetivamente?

Está em algum relacionamento afetivo? Se sim, este relacionamento tem te feito

bem?

Como você está lida com esta situação?

Se você está sozinho (a), como está a sua sexualidade com você mesmo(a)?

Se você estiver em um relacionamento, vocês têm uma vida individual e também

uma vida a dois?

Você consegue ser você mesmo em sua relação?

Como está a sua sexualidade?

Você tem dedicado tempo e atenção à sua sexualidade e à sua parceira (o)?

Você conhece os desejos, fantasias e prazeres seus e da sua parceira (o)?

Vocês conversam sobre o assunto?

No que você poderia melhorar ou se dedicar mais?

  • Vida profissional – trabalho, carreira e estudos

Como está a sua vida profissional?

Você gosta do seu trabalho?

Fez ou tem feito algum curso ultimamente? Tem se atualizado?

Como você se avalia profissionalmente?

Você tem planos ou metas profissionais?

  • Cultura e Arte – teatros, cinemas, museus, shows, espetáculos de dança, entre outras atividades artísticas

Você costumava frequentar algum desses lugares (antes da pandemia)?

Dentro destas possibilidades, qual ou quais te interessam?

Você tem dado atenção a esta esfera (ainda que virtualmente)?

Quem poderia gostar de te acompanhar nesses programas?

  • Saúde – parte física

Como está sua alimentação?

Tem estado doente frequentemente?

Seu corpo tem reclamado de dores constantemente?

Como está o seu sono?

Você pratica alguma atividade física regularmente?

Como está o seu humor?

  • Amigos e lazer – vida social, hobbies e lazer

Você tem amigos com quem pode contar quando precisa?

Há quanto tempo não os vê ou não fala com eles (vale um telefonema ou videoconferências em tempos de coronavírus)?

Já fez alguma lista de lugares ou coisas que você ainda quer fazer ou conhecer?

  • Espiritualidade – fé, no que você acredita e não necessariamente em alguma religião

Você acredita em algo?

Tem dedicado tempo para cuidar do lado espiritual?

Tem agradecido à sua vida?

Após esse exercício de autoconhecimento, reflita: você está contente e acredita que está conseguindo manter certo equilíbrio em sua vida? O que você pode fazer para melhorar?

Mas atenção: cuidado para não ser excessivamente autocrítica, e compare-se apenas com você mesmo, em épocas diferentes de sua vida e não aos outros.

Caso perceba que você não está bem e não sabe por onde começar a melhorar, lembre-se: pedir ajuda é sempre uma atitude louvável e nunca um sinal de fraqueza. Podemos e devemos buscar o melhor de nós e para nós!

paulanapolitano

Psicóloga clínica, pós graduada em Terapia Sexual e em Terapia Cognitivo Comportamental. Também é autora do livro "Sexplicando: sexualidade sem mitos e tabus".