A decisão da separação não acontece do dia para noite, na verdade ela vem sendo estruturada, questionada, trabalhada e organizada por algum tempo.

Fato é que ninguém casa pensando em não permanecer junto. Casamos com a pessoa e com um universo de expectativas e sonhos em conjunto. Com o tempo, o que é normal de toda relação, muita coisa vai acontecendo, idealizações e fantasias se chocam com realidade e rotina, desconstruções são necessárias e ajustes e reajustes, inevitáveis. Só que em vários casos, a insatisfação de todo esse processo é imensa. O que eu insisto aqui é para não buscar culpar ninguém por isso, a relação é a dois e se está passando perrengues e curto-circuitos difíceis de serem contornados, a responsabilidade é de ambos, independente de ser mais por um ou pelo outro.

O ponto é que a gente vai tentando, dá uma boa suada na camisa para reverter esse quadro. Nem sempre da melhor forma, afinal em tantas situações, não basta um só estar disposto para recuperar a relação, né? Às vezes, nem é por não querer, mas por não conseguir mesmo, não encontrar meios de, por onde e nem como retomar.

A coisa vai degringolando, tentamos tapar o sol com a peneira, jogar pra baixo do tapete, achar desculpas para justificar condutas descabidas, mas é tamanha falta de tudo e tanto desencontro, que o abismo existente entre os dois inviabiliza qualquer reconexão e ninguém ali se conhece ou se reconhece mais.

Só que tem outras variáveis envolvidas: filhos, bens, família, rotina, medo, costume, culpa, etc. Leva um tempo para se ter coragem o suficiente e enfrentar cada uma delas. De acordo com cada caso, uma dessas variáveis ou mais, se tornam tortuosos obstáculos para o passo definitivo da separação e há quem permaneça bastante tempo nesse limbo em que a decisão interna já aconteceu, mas o comunicado, não.

Respeitar todas as emoções pertinentes e reconhecê-las é fundamental. Assim como fortalecer a autoestima, repensar crenças, elaborar sentimentos de culpa, se preocupar mais com o que você sente do que o que os amigos e família vão pensar, organizar com calma e sabedoria a logística com filho(s) e ir pouco a pouco preparando o emocional deles com muito cuidado, carinho e preservação para a mudança.

Olhar de frente o medo para desmistificar muito do que esse sentimento alimente dentro de você, trabalhar internamente seus desejos, recursos e propósitos de vida para pouco a pouco, respeitando esse arsenal emocional e o tempo necessário para fechar definitivamente essa história, esse ciclo e ainda com inseguranças, mas com muita vontade de recomeçar e sair de uma posição desconfortável, seja possível encerrar esse relacionamento.

Por Pamela Magalhães

 

 

Pamela Magalhães

https://pamelamagalhaes.com.br/

Psicológa especializada em relacionamento e apresentadora do podcast Coração Peludo