Sabe aquela situação ou atitude que te incomoda no seu companheiro/a, que as vezes até gera desentendimento ou que você acaba não falando e pensa que é algo que só você sente?

Pois acredite: essas reclamações são mais do que comuns, e muitas vezes podem ser resolvidas ou evitadas com um pouco mais de conhecimento, empatia (se colocar no lugar do outro) e reflexão sobre os relacionamentos.

Reuni aqui sete das insatisfações mais comuns, que ouço com frequência no consultório ou nas redes sociais! Algumas são mais frequentes entre as mulheres, outras surgem mais entre os homens, mas lembre-se: cada um é único. Talvez você concorde com algumas, com todas ou até com nenhuma!

  • Falta de preliminares

Muitas mulheres reclamam que, ao longo do tempo, seus(suas) parceiros(as) esquecem e não valorizam mais as preliminares, imprescindíveis para elas, e se sentem pouco importantes, como se só o prazer do outro interessasse! E já temos texto aqui sobre “Por que as preliminares merecem mais valor”, lembra? Aqui valem beijos (na boca e no corpo como um todo), abraços, massagem, carícias, banho juntos, masturbação, entre outras.

  • Brincadeiras inapropriadas

Outra queixa bastante comum entre as mulheres são os apertos nos seios ou no bumbum em momentos inoportunos, como quando elas estão contando algo que as deixou chateada, lavando a louça ou fazendo qualquer outra atividade que nada tenha a ver com sexo ou intimidade. A sensação é de que não estão sendo ouvidas, cuidadas ou valorizadas, e algumas se sentem até mesmo agredidas. Os seios e o bumbum são partes íntimas, não são brinquedos. Se quer brincar com a mulher, brinque de outra forma, para que de fato seja uma brincadeira que ambos irão se divertir. O toque pode sim ocorrer, mas no momento adequado.

  • Aproximação afetiva só para sexo

Quando o afeto físico, o beijo e o abraço só acontecem como antecipação ao sexo a chance de haver chateação e irritação é bastante grande, pois fica o sentimento de ser usado(a) ou pouco amado(a), e alguns até evitam o toque. Os carinhos são fundamentais para encher o copo do desejo e o tanque do amor, principalmente para quem tem o toque físico como principal linguagem do amor, e aumentam a intimidade do casal.

  • Acomodação
    Uma das queixas bastante comum dos casais é que o outro se acomodou, não se dedica mais à relação – e isso aumentou bastante durante a pandemia! Na cama parece que o script é sempre igual (sabe exatamente como começa e como termina), não tem variações, criatividade, novas posições, novas experiência. Isso faz com que surjam questionamentos como “será que o desejo acabou?” ou “será que ele(a) não me ama mais?”. Muitas vezes o amor existe e o desejo pode ser mais estimulado, mas as pessoas tendem a se acomodar na falsa ideia de que o outro já foi conquistado, não há necessidade de esforço e que as coisas devem ser espontâneas. É imprescindível regar diariamente a “plantinha do amor” para que ela não murche e morra.
  • Egoísmo
    Já sentiu que o/a parceiro/a focou exclusivamente no próprio prazer e esqueceu de você? Essa é uma queixa de muitas mulheres, que sentem falta de serem masturbadas ou de receberem sexo oral. O orgasmo também é um ponto polêmico aqui! O homem tende a chegar mais rápido do que a mulher, e elas reclamam que “ficam a ver navios”. Então vale continuar os estímulos, para que ambos, se quiserem ou conseguirem, cheguem ao orgasmo. Ou deixar que a mulher tenha o orgasmo primeiro. Pensar no próprio prazer é fundamental, mas pensar no do outro também, afinal o sexo é uma dança de vai e vem.
  • Pressão para o orgasmo

“Já chegou?”; “Ainda não chegou?”; “Só vou gozar quando você também gozar”. Ouvir esse tipo de pressão na hora do sexo não ajuda, e muitas vezes tende a atrapalhar. A mulher se sente tão pressionada, e até mesmo envergonhada por não conseguir ou ainda não ter chegado, que acaba fingindo, diz que chegou sem ter de fato tido o orgasmo. A intenção pode até ser boa, de preocupação e não de egoísmo, mas talvez deva ser feita de outra maneira, questionando se gostaria que mudasse algo, qual o melhor estímulo, por exemplo. Sexo gostoso, prazeroso, nem sempre precisa ter orgasmo.

  • Insistir para transar sem camisinha

“Só um pouquinho”, “mas eu gozo fora”, “confia em mim”, “mas você toma anticoncepcional”, “usar camisinha é como chupar bala com papel”, “não dá prazer…”. Preservativo, seja feminino ou masculino, é a única maneira de prevenir tanto a gravidez quanto as ISTs. Essa insistência, além de incômoda, é também muito perigosa. Saúde é o bem mais precioso, e deve ser cuidada e preservada. Sexo seguro sempre, pois as consequências podem ser muito sérias.

Se identificou com algumas dessas reclamações? Você ouve alguma dessas queixas? Já disse algumas dessas frases – e aprendeu que elas nem sempre são positivas? Tem feito coisas que podem incomodar, mas que nem sempre o outro consegue dar feedback? O que você pode mudar? Tem regado a sua “plantinha do amor” e o enchido o “copo do desejo”?

paulanapolitano

Psicóloga clínica, pós graduada em Terapia Sexual e em Terapia Cognitivo Comportamental. Também é autora do livro "Sexplicando: sexualidade sem mitos e tabus".