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Elias Gomes

Quer ter uma vida longa e saudável? Então precisamos falar sobre velhice

O comentarista da Jovem Pan Felipe Moura Brasil mediou o terceiro debate do fórum Mitos e Fatos: Saúde. Ao lado dele, Paulo Pachi (professor do departamento de pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo), Fernando Maluf (oncologista e fundador do Instituto Vencer o Câncer), Rosa Chubaci (professora e coordenadora do curso Bacharelado em Gerontologia da USP) e David Uip (secretário de Saúde do Estado de São Paulo) discutiram o tópico “prevenção” e conversaram sobre as possíveis maneiras de conquistar um futuro com mais qualidade de vida.

“Nós envelhecemos desde que nascemos. Mas é curioso que ‘velho’ ou ‘idoso’ é sempre o outro, nunca você mesmo. Acontece que a velhice pode ter sucesso ou não. No final da vida é natural ter alguns problemas de saúde, mas o idoso pode ter autonomia e ser ativo para viver com mais qualidade. A partir do momento em que tem uma dependência, ele e a família enfrentam problemas maiores. É difícil lidar. Precisamos ter atenção às prevenções para enfrentar a velhice de forma adequada. Precisamos planejar nossa velhice”, disse Chubaci ao apresentar a questão.

Em seguida, Maluf entrou mais a fundo na discussão da prevenção. Ele começou sua fala com um de seus lemas: quem procura acha, e quem acha cura. “O câncer tem se tornado a maior causa de morte no mundo. Sabemos que 90% dos tumores tem fatores ambientais. Então a pergunta é: como evitá-lo? Vamos lá. De 30 a 40% deles são causados por tabaco. Outros 30% são relacionados a obesidade. Mais 16% vem de infecções, como HPV e hepatite B. Ou seja, existe prevenção. É uma conjunção de fatores e todos envolvem educação”, explicou. Em seguida, fez uma provocação ao poder público.

“Se colocam nos maços dos cigarros aquelas fotos horríveis para mostrar que o tabaco mata, porque não colocam imagens assim em alimentos artificiais para lembrar que eles também matam? Porque não tributam mais esses alimentos e menos os naturais e orgânicos?”, questionou.

Citando a fala do colega sobre infecções, Pachi aproveitou para criticar aqueles que se dizem contrários à aplicação de vacinas. “Os argumentos contra vacinas são todos construídos na base do achismo. Nada com fundamento. Existe um número gigante de trabalhos que mostram a eficácia delas. São trabalhos muito bem feitos. Acredito bastante na lisura das empresas multinacionais que as desenvolvem. Antes víamos crianças ficarem cegas, surdas e paraplégicas, hoje não se fala mais em meningite”, exemplificou. “Sim, a propaganda contra as vacinas deveria ser criminalizada, não tem o menor sentido”, completou o secretário Uip – responsável, mais tarde, pelo encerramento do evento.

Para encerrar o debate, Rosa fez as considerações finais. Ela ressaltou que ter hábitos saudáveis pode, sim, garantir um futuro com mais qualidade a todos, mas nem por isso podemos deixar de falar sobre o fim. “Temos na faculdade, por exemplo, estudantes que cursam uma disciplina sobre morte. Também existem grupos de cuidados paliativos em que preparamos o paciente, a família e os profissionais a lidarem com a finitude. Cada vez mais se fala nisso. É necessário”, concluiu.