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Políticas públicas e mudanças culturais podem melhorar a convivência entre os meios

Thiago Uberreich, apresentador do Jornal da Manhã, mediou a terceira conversa de Mitos e Fatos: Mobilidade Urbana, cujo tema foi a integração dos meios de locomoção e a preservação da vida. Os participantes foram Rodrigo Galvão (Presidente da Oracle Brasil), Luiz Carlos Néspoli (Superintendente da ANTP), Maxwell Borges de Moura Vieira (Diretor-Presidente do Detran) e Harold Peter Zwetkoff (Diretor-Presidente da CCR). Para eles, existe um caminho complexo porém claro para tornar mais viável a convivência entre bicicleta, moto, ônibus, metrô e carro: o investimento em políticas públicas.

Galvão iniciou a conversa relatando suas experiências como ciclista. Frequente utilizador das ciclovias da capital, ele contou que, assim que assumiu a presidência da Oracle, há 9 meses, uma das primeiras atitudes que teve foi a de construir bicicletário e vestiário dentro da empresa. Hoje, mais de 90 funcionários vão trabalhar pedalando.

“Isso mostra como é possível começar a mudar os fluxos usando não só a tecnologia, como já foi dito aqui, mas os exemplos. Precisamos alterar os costumes. Por que não trazer mais vida, esporte, cultura no nosso dia a dia? Outro ponto importante. A gente está falando sobre transporte público, mas ninguém comentou sobre os elevadores. São transportes internos usados em horário de pico por 80% das pessoas. Na empresa fizemos uma campanha pintando as escadas como pista de corrida e contamos o que a pessoa melhora de degrau em degrau. Perda de caloria, melhora nos batimentos cardíacos, essas coisas. As pessoas se motivam com iniciativas simples”, disse.

Maxwell concordou. Em seu trabalho à frente do Detran-SP, ele também tem percebido que o brasileiro precisa passar por essa mudança cultural. “Temos que fazer uma reflexão. As pessoas têm que saber como se locomover. A mobilidade nada mais é que a locomoção de todos na cidade. Isso implica fazer escolhas. Os transportes públicos estão disponíveis. Concordo que em algumas áreas falta investimento, mas precisa de uma mudança de comportamento. Todos precisam ser conscientes”, declarou.

Para que isso aconteça em grande escala, porém, é necessária a interferência direta dos governos. “Você pode se locomover de bicicleta por que é sustentável. Pode pegar um ônibus por fatores financeiros. Pode pegar o metrô quando quer economizar tempo. Pode ir jantar em um restaurante com a esposa chamando um táxi no aplicativo. Cada meio tem sua característica própria. E a forma de induzir o uso deles é com políticas públicas”, ressaltou Harold.

“A forma com que as cidades se organizaram criou congestionamentos e distâncias longas. O problema foi criado lá atrás, mas hoje temos que olhar para a frente. Que cidade queremos? Uma em que se ande menos. Que tenha menos deslocamento. Para isso ela tem que ser mais compacta, ter empregos distribuídos. Se as pessoas tiverem que andar, que seja em sistemas mais qualificados. E que elas tenham condições de optar. A mobilidade é composta por redes, conexões. Parte dos problemas do transporte não está dentro dele, mas no acesso. Escuridão nas ruas, calçadas mal feitas, lixo espalhado no caminho, falta de segurança. Isso tudo é competência do governo”, completou Néspoli.