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Lais Souza fala sobre acessibilidade para cadeirantes nas cidades: “sistema é muito precário”

O bate-papo de encerramento do fórum Mitos e Fatos: Mobilidade Urbana, realizado nesta segunda-feira (26) no Tivoli Mofarrej, em São Paulo, rendeu momentos de grande emoção entre a convidada, a ex-ginasta Lais Souza, e o apresentador Edgard Piccoli. Ela esteve no evento para tratar sobre o tema da acessibilidade, mas acabou relembrando sua trajetória pessoal e profissional – destacando o “antes e depois” do acidente de esqui que a deixou tetraplégica.

“Por ter sido a pior coisa que me aconteceu na vida, eu perguntei milhões de vezes para Deus ‘por que eu’. Perguntava por que ele não me deixou nem um dedo. Porque, porque, porque. Até que percebi que isso estava me atrapalhando. Eu tinha que fazer algo para evoluir espiritualmente e sair do buraco. Parei de me perguntar esses porquês e foquei no que realmente ia somar para mim. Já que não podia fazer nada físico que eu pudesse me ligar ao meu cérebro. Me sinto mais mulher hoje para encarar as coisas. Tenho mais coragem para tentar me encontrar nessa bagunça”, contou. “Tenho meus momentos de tristeza. Por mais que tenha aceitado, acontece uma manhã ou outra em que acabo chorando muito, sentindo falta de milhares de coisas que fazia antes. Mas dá para contar nos dedos”.

Lais atualmente estuda psicologia e apresenta palestras ao redor do país. Em suas redes sociais, costuma compartilhar também os avanços nas suas elaboradas sessões de fisioterapia. Mesmo sendo considerada inspiração e exemplo para milhões de brasileiros, ela diz não saber se merece esses rótulos.

“Não sei. Mais ou menos. O ser humano se supera. Temos problemas e vamos superando. Não acho que o meu problema é maior que o problema de ninguém. Só muda de endereço. Essa é minha forma de encarar (…). Acho que venho melhorando bastante nos últimos 4 anos. Melhorei uns 4 de 0 a 10. Tudo que aprendi de lá para cá, a experiência de vida que adquiri, devo a muitas pessoas. As palavras paciência e gratidão cresceram muito em mim”, afirmou.

Em seguida, Edgard questionou qual era a coisa que ela mais sentia falta. Algo que costumava fazer antes do acidente que não consegue mais. Para a surpresa de todos, a resposta foi “um abraço”. “Abraçar mesmo. Sentir peito no peito. Sinto muita falta”, disse. O apresentador ficou visivelmente emocionado e, em um dos momentos mais bonitos do evento, os dois deram um longo abraço.

Por fim, entrando no assunto da pauta do fórum, a convidada criticou a falta de acessibilidade para cadeirantes nas cidades. “Sinceramente acho o sistema muito precário. Ruim mesmo. De um tempo para cá todos têm voltado mais suas atenções, mas precisa melhorar. O pior são as calçadas. Mesmo se 100% dos ônibus foram acessíveis, o cadeirante continuaria com dificuldades para chegar até ele”.