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Elias Gomes

Grandes empresas e startups podem não ser tão diferentes assim. Esses palestrantes te mostram como

O jornalista da Jovem Pan Carlos Aros mediou o primeiro painel do fórum Mitos e Fatos: Empreendedorismo. Os responsáveis pelo debate sobre o tema Inovação foram Guilherme Wroclawski (fundador do SaveMe, do Modait e do app Vah), André Barrence (diretor do Google Campus São Paulo), Paulo Solti (vice-presidente do grupo PSA América Latina e diretor geral da Citroën do Brasil) e Diogo Corona (diretor da Smart Fit). E, mesmo vindo de áreas completamente diferentes, em uma coisa todos concordaram: a relação entre startups e grandes empresas está cada vez mais madura – e elas estão cada vez mais agregando características umas das outras.

“Hoje vemos uma relação madura entre grandes companhias e startups. Não especificamente por conta do produto final da startup, mas pelos conceitos que a permeiam, pela cultura, pela prática de tentativa e erro, pela velocidade de aprendizagem, pela característica multidisciplinar”, disse Guilherme, bastante acostumado com esses ambientes. “Uma empresa enorme é um transatlântico, para virar demora anos. E o fracasso era definitivo em minha geração, hoje não é. Os jovens sabem lidar. Como trazemos isso ao nosso mundo? Incorporando inovação”, concordou Paulo.

De acordo com o diretor, a Citroën, pensando nisso, criou um centro de formação para novos negócios. Ali, os profissionais buscam ideias inovadoras e as agregam dentro da companhia. “Tenham a cabeça aberta ao empreendedorismo. Do seu lado pode ter alguém com uma ideia brilhante. Ouça, entenda. Isso pode fazer a diferença em uma empresa. Nós, como montadora, estamos cada vez mais atentos”.

André, então, relacionou o debate ao cenário atual do Google Campus. Ele contou que o empreendedor brasileiro evoluiu muito nos últimos anos – não é à toa que passou a ter maior proximidade com as grandes empresas. Nesse sentido, o próprio perfil desse empreendedor se modificou.

“O traço de maturidade está cada vez mais presente. Nesse um ano e meio de Campus, as startups mais interessantes foram as que combinaram inconformismo com capacidade técnica forte e experiência anterior para superar dificuldades. E tem um perfil diferente de empreendedor hoje. A imagem antiga é um mito. Mitos são bons porque geram boas histórias. E fóruns (risos). Mas acredito que é distante da realidade”, alegou, explicando em seguida.

“O empreendedor não é o cara que recebeu uma divindade e em momento ‘eureca’ começou a construir. Pelo contrário. Houve a criação de uma figura mítica dentro de uma garagem, trabalhando secretamente com um grupo de amigos e que consegue transformar a indústria, mas isso é cada vez menos parte da realidade. Os empreendedores estão onde os outros empreendedores estão! O Google trabalha nessa tese de densidade. E um ecossistema saudável não tem só empreendedores. Tem investidores-anjo, fundos, grandes companhias, mentores, universidades. Eles estão onde existem ambientes de negócios favoráveis”, concluiu.

Diogo aproveitou para comentar a história de sucesso de sua rede de academias, que só neste ano pretende abrir mais de 100 lojas, e destacou outro tópico interessante. Ao mesmo tempo em que sua empresa – que já passou há tempos do estágio de startup – pretende manter o que conquistou, não pode parar no tempo e deixar a inovação de lado.

“Sabemos que precisamos nos reinventar sempre. Inconformismo é uma questão de sobrevivência. E essa inovação é externa e interna. Na Smart Fit, a maioria das ideias veio de fora do ambiente de trabalho. Por que será que esses funcionários estavam pensando em trabalho fora do horário de trabalho? Motivação. O foco em pessoas é o mais importante. É importante que elas estejam interessadas, motivadas, felizes”, afirmou.

Os palestrantes, por fim, comentaram algumas das maiores dificuldades que enxergam para o mercado no Brasil e já deram uma amostra do que seria discutido no painel seguinte: a burocracia e a falta de financiamento que os empreendedores enfrentam por aqui.