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De Ruy Ohtake à Vitacon: como a arquitetura e o urbanismo entendem a mobilidade

Para fechar o ciclo de painéis desta edição do fórum, Felipe Moura Brasil voltou ao palco e convidou Luiza de Andrada e Silva (Diretora Executiva do IVM), Alexandre Lafer Frankel (CEO da Vitacon), Luiz Eduardo Índio da Costa (Arquiteto e Urbanista) e Ruy Ohtake (Arquiteto e Designer) para discutir o poder transformador do crescimento; em outras palavras, discutir como garantir a mobilidade inclusiva e a sustentabilidade nas cidades do futuro. Debate que obviamente passa pela arquitetura e pelo urbanismo.

Na Vitacon, Frankel encontrou uma solução que causou grande reboliço nos últimos anos: construir prédios inteligentes e com apartamentos de tamanhos restritos (alguns com apenas 10 metros quadrados) em regiões nobres de São Paulo. A ideia seria levar o cidadão para morar perto de seu trabalho mesmo quando ele não tem condições de pagar altos valores.

“Minha filosofia se transferiu para minha carreira empresarial. Larguei o carro 10 anos atrás e foi uma grande transformação. Existe uma cidade melhor e mais interessante para ser vivida de bicicleta. Eu ficava quatro horas por dia dentro de um veículo, isso é inviável. Aí na minha empresa entendi que era possível fazer as pessoas morarem perto. Por isso começamos a produzir apartamentos menores. É possível encontrar um apartamento de 90 mil reais perto da Avenida Paulista, por exemplo. Isso transforma as pessoas”, disse.

Ohtake, um dos nomes mais renomados da área, acredita no caminho contrário. Para ele, levar o emprego para perto das pessoas em vez de levar as pessoas para perto do emprego pode ser uma saída mais interessante.

“Acho uma sacanagem jogar o problema da cidade na mobilidade. A mobilidade está feita. Mas algumas regiões, como a Zona Leste, cresceu de tal forma que hoje moram 4 milhões de pessoas por lá. Sendo que 1 milhão tem idade de trabalho com 16 a 50 anos. Dessas, 800 mil vão diariamente ao Centro. Por que? Faltam bolsões de trabalho. Se tivesse, menos pessoas se deslocariam e teríamos menos problemas”, opinou.

Para encerrar o debate, Luiza e Luiz Eduardo falaram mais sobre o conceito de mobilidade dentro do urbanismo e ressaltaram que o importante não é apenas melhorar um sistema de moradia ou de transporte, mas toda a vida social dentro das comunidades.

“A gente do instituto entende a mobilidade como algo mais amplo que o transporte. Não é somente ir do ponto A ao ponto B. É desfrutar o patrimônio da cidade no trajeto. Acessar os bens e serviços com autonomia. Ou ficar em uma praça e não ir a lugar nenhum. Os espaços públicos são mobilidade, as informações são mobilidade, as questões de gênero são mobilidade. A forma de organizar os meios, o morar, o pensar estão envolvidos, claro. Tudo nasce da questão humana. Vem de onde o homem quer viver e se integrar”, explicou ela.

“As cidades foram feitas para os pedestres. Sua relação com a cidade é mais direta, fácil e forte quando está a pé. Quando anda, conhece de verdade. Quando usa outro transporte, só passa por ela. Nosso modelo atual está esgotado, não traz qualidade de vida. Ficou claro que para a melhoria na mobilidade não existe uma solução, mas uma série de atitudes que podem ser tomadas”, concluiu ele.