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Elias Gomes

Da robótica à cirurgia digital: como transformar a tecnologia em aliada da medicina

Que a tecnologia pode ajudar (e muito) no desenvolvimento da medicina ninguém duvida. Mas quais cuidados os profissionais da saúde devem ter com essas transformações? Será que podemos confiar em robôs e computadores quando o que está em jogo é a vida de um ser humano? E como implantar as inovações em modelos ainda arcaicos de gestão? Esses e outros tópicos foram debatidos no segundo painel do fórum Mitos e Fatos: Saúde, promovido pela Jovem Pan em São Paulo.

Mediados pelo jornalista Carlos Aros, os convidados da mesa foram Guilherme de Menezes Succi (coordenador do curso de Medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic), Antonio Luiz Macedo (especialista em cirurgia robótica e casos oncológicos complexos), Fabio Mattoso (líder da Watson Health na IBM Brasil) e Adriano Caldas (presidente da Johnson & Johnson Medical Devices Brasil).

“Quando falamos em tecnologia falamos em primeiro lugar em dispositivos médicos. Eles tiveram uma grande evolução a partir da década de 90. Foram criados inúmeros sistemas e sensores que geram muita informação. A ‘sacada’ agora é descobrir o que fazer com tantos dados. Um paciente com câncer, por exemplo, gera 1 tera de dados por dia. É impossível para um médico estar 100% atualizado sobre ele. O profissional precisa de mais ferramentas (…). É como um iPhone. Ele é uma excelente ferramenta, mas o quanto sabemos usar? Só fazemos ligações, mandamos mensagens e pagamos umas contas. É muito pouco”, disse Mattoso.

Succi acredita que outra dificuldade dos profissionais da área é conseguir acompanhar a velocidade com que as coisas acontecem. No curso de medicina, segundo ele, professor e aluno aprendem a lidar com novos dispositivos quase que simultaneamente, o que representa um grande desafio para todos na graduação. “A tecnologia chegou para ficar. Uma das funções da escola é capacitar os médicos em atividade para que estejam preparados para as mudanças”, afirmou.

Especialista no assunto, Macedo discursou em seguida entrando a fundo na questão da robótica e mostrando como ela já revolucionou – e continuará revolucionando – o setor. “A tecnologia vem favorecendo a segurança e a realização de procedimentos cirúrgicos desde anos 90. Nos anos 2000, começou-se a usar robótica. Criou-se uma interface de computador entre o paciente e o médico. Mas vale reforçar aqui que nenhum robô opera sozinho. Ele funciona como um Waze para facilitar cirurgias e diminuir riscos”, explicou, fazendo referência ao app de navegação.

Ainda segundo ele, esses novos dispositivos, quando forem aliados à inteligência artificial, poderão cruzar dados e criar relatórios extremamente relevantes para serem usados como comparativos e material de consulta por médicos de todo o mundo.

“O novo chega, se instala e se torna a nova norma. Isso acontece cada vez mais rápido. A pergunta que fica é: o que vem pela frente, depois da robótica? Eu acredito que será a cirurgia digital. Aí teremos um novo desafio: como democratizar o acesso a tantas tecnologias”, finalizou Caldas.