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Plano Diretor, descentralização e sustentabilidade em foco no painel Urbanismo

Todas as cidades têm seus problemas. Em mega cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, as dificuldades se multiplicam, obviamente. Foi com o propósito de esclarecer os principais dilemas de Urbanismo e propor novas soluções que o jornalista Carlos Andreazza mediou o último painel do fórum Mitos & Fatos – Jovem Pan Discute, com foco nas Cidades do Futuro.

Para debater questões importantes de urbanismo foram convidados o arquiteto e urbanista Nabil Bonduki, Daniel Annenberg, secretário municipal de Inovação e Tecnologia de São Paulo, Indio da Costa, secretário de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação do Rio de Janeiro, e Jorge Soto, diretor de Desenvolvimento Sustentável da Braskem.

Um dos pontos mais importantes e difíceis de serem executados é o Plano Diretor das cidades. Esse tema, inclusive, foi discutido por nossos convidados.

“Já temos alguns efeitos claros do Plano Diretor, mas a crise econômica e fiscal fazem com que aquilo que se esperava acontecesse numa velocidade menor”, avalia Nabil. “Tivemos, por exemplo, a regulamentação do uso de aplicativos, maior reserva de espaço para os ônibus das cidades, etc., mas diversos investimentos estão travados neste momento”, completa, destacando que a descentralização das cidades é ponto principal quando o assunto é mobilidade e urbanismo.

“A segmentação é um empecilho”, diz Nabil. Para Daniel Annenberg, oferecer ferramentas para que as prefeituras regionais tenham mais poder e atendam melhor o cidadão é essencial. “Deve haver cada vez mais serviços eletrônicos para facilitar a vida do cidadão. É muito importante que os serviços sejam inteligentes”, avalia.

Além desses temas, outros assuntos também foram tema de discussão neste painel. Acompanhe, a seguir, os principais:

Integração de serviços

“Precisamos ver o cidadão como alguém único e alguém que de fato precisa de bons serviços públicos, não como uma pessoa que dirige, vai ao hospital, etc. As pessoas fazem tudo”, diz Annenberg.

Descentralização nas grandes cidades

É comum que haja empregos nos centros urbanos e moradias em áreas mais distantes. Isso, no entanto, prejudica a mobilidade urbana e deixa a vida do cidadão mais complicada, como explica Nabil Bonduki. “No Plano Diretor estão previstos polos de desenvolvimento em eixos importantes, na periferia, cujo objetivo é incentivar a implantação de empresas nessas regiões. Essa alteração na economia da cidade é muito importante”, conta. “As pessoas precisam morar perto de seus empregos e de serviços de saúde, cultura, etc.”, completa Annenberg.

Aprendizado com os Jogos Olímpicos

“A Olimpíada é uma oportunidade enorme para redesenhar a cidade. No Rio, tivemos os BRTs, o que foi um avanço, pois, depois, podemos substituir esse modelo pelos VLTs”, avalia Indio da Costa, que cita, ainda, o Projeto Porto, que prevê a ocupação da região próxima ao porto do Rio, bastante revitalizada durante os Jogos Olímpicos.

“Essa iniciativa é para daqui a 20, 30, ou 40 anos, mas agora passa por um risco muito grande porque foi baixado o gabarito de todo o porto por conta da proximidade com o aeroporto”, explica Indio, enfatizando que, se for mantida, essa medida pode inviabilizar a descentralização da cidade para áreas menos ocupadas.

Parceria com a iniciativa privada

“Cerca de 70% das emissões de gás carbônico acontece nas cidades. Precisamos de eficiência nisso tudo, com novos materiais, novas formas de transporte, melhores isolantes térmicos nos prédios, por exemplo”, explica Jorge Soto, da Braskem. “Hoje, cerca de 37% da água que bombeamos para abastecer as cidades se perde em sistemas de distribuição, com R$ 8 bilhões de perdas anuais”, completa, destacando que a cada 1 real investido em tratamento de esgoto se economizam 4 em saúde.

Mudança na relação com o meio ambiente

“Temos condição de produzir muito menos resíduos do que produzimos e, por isso, temos que pensar na questão do uso do compartilhamento, na recriação da zona rural, com orgânicos, e na permeabilidade do solo na cidade. Isso também envolve o mercado imobiliário, que precisa repensar seus modelos”, explica Nabil Bonduki.

Jorge Soto completa: “uma de nossas carências é o tratamento de resíduos. Cerca de 40% do que é gerado vai para qualquer lugar e isso agrava uma situação já bastante degradada”, avalia o executivo da Braskem, citando que, com essas iniciativas, poderiam ser reduzidos 65% dos impactos ambientais.