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Alternativas de locomoção e soluções tecnológicas são destaque do painel de Transportes

Transporte sobre trilhos é a melhor saída? Compartilhamento de automóvel é uma boa? É possível reduzir as emissões de gases emitidos pelos veículos? Esses e outros temas foram discutidos no painel de Transportes que abriu o fórum Mitos & Fatos – Jovem Pan Discute, que reuniu especialistas e autoridades para discutir as melhores soluções para as grandes cidades.

Mediado pela jornalista Vera Magalhães, o painel contou com a presença de Andre Loureiro, gerente-geral do Waze no Brasil, Francisco Christovam, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros, Sérgio Avelleda, secretário de Transportes de São Paulo, e Walter Barbosa, diretor de vendas e marketing de ônibus da Mercedes-Benz.
Um dos assuntos mais discutidos e que gerou o debate inicial foi o transporte sobre trilhos, que ainda está muito aquém em cidades grandes como São Paulo.

“Se a demanda é grande, é melhor pensar em alternativas sem interferência e essa solução é o metrô”, destaca Avelleda, que tem sua opinião endossada por Walter, da Mercedes, enfatizando que pensar no sistema de comunicação como um todo é o ideal. “O metrô tem, sem dúvida, uma excelente alternativa de transporte, mas por si só, não pode ser considerado o único. Precisamos de ônibus, trens, VLTs, cada um com sua característica”, explica.

“O grande problema é a saturação dos transportes, que é causada por nós, principalmente os carros. Devemos repensar nossas rotinas porque a experiência de transporte público nos grandes centros está virando um caos”, completa o executivo do Waze, ao passo que Christovam, da SP Urbannus, aposta na eficiência do ônibus para melhorar o transporte nas cidades. “Os melhores sistemas são Expresso Tiradentes e Corredor ABD, ambos operados por ônibus. É possível operar ônibus e oferecer serviço de qualidade à população”, completa.

A seguir, confira os temas abordados por nossos especialistas e as soluções apontadas para os dilemas no transporte:

Tecnologia incorporada

“Estamos lançando o desafio de criar uma autoridade metropolitana de São Paulo, incorporando tecnologia”, diz Avelleda, falando sobre a necessidade de utilizar a tecnologia para integrar todos os meios de transporte público em São Paulo.

“Devemos lançar a funcionalidade do aplicativo colaborativo em São Paulo até o final do ano. Acreditamos que esse modelo do uso colaborativo vai ajudar na mobilidade da cidade”, completa o executivo do Waze, em referência a um serviço que viabilize o uso compartilhado dos carros nas grandes cidades.

“O que precisamos é operar todos os transportes de maneira integrada para obter de cada um deles o máximo possível de desempenho”, adiciona Francisco Christovam.

Ciclo de vida dos ônibus

“Um ônibus pode prestar excelente serviço por dez anos. Não tem um porquê operar um veículo por cinco anos e depois descartá-lo”, afirma Francisco Christovam. Avelleda completa: “não faz sentido diminuir a idade média dos ônibus, mas o importante é termos uma agência regulatória, o que já temos em São Paulo.”

Pedágio urbano e aumento do rodízio

“O que esperamos é antes que antes tenhamos facilidades da tecnologia para otimizar o transporte privado na capital. O rodízio que há alguns anos tinha impacto no trânsito, hoje não tem mais tanto, então esses fatores não são a solução definitiva”, avalia Andre Loureiro, do Waze.

“Esses pontos são antipáticos e nunca são bem-vindos. Em Seul, de onde acabamos de voltar agora, não existe rodízio. O motorista que não anda com seu automóvel é premiado e há uma meta de quilometragem por semana. Acreditamos muito no uso mais racional do carro”, complementa Avelleda.

Uso do biodiesel na frota

“A cidade transporta mais de 8 milhões de pessoas por dia. A solução do biodiesel pode ser incorporada em São Paulo e funcionar muito bem gerando poucos custos”, explica Walter, da Mercedes, descartando, por ora, a solução de ônibus elétrico. “O ônibus elétrico opera bem em Paris, mas aqui talvez não. Muitos testes ainda precisam ser feitos”, complementa.

Modelos de carona nas grandes cidades

“O Waze surgiu com a finalidade de ajudar os motoristas a driblarem o trânsito em Israel, há oito anos, de maneira colaborativa, mas entendemos que isso não é suficiente porque só aumenta o volume de carros. O modelo de carona, que traz para cada uma responsabilidade sobre a otimização do carro, deve chegar em breve ao Brasil”, explica Loureiro, do Waze.

Por que o ônibus é a opção mais inteligente?

“Está comprovado que o melhor meio de transporte é o ônibus pelo custo de implantação., porém, quando temos demanda superior a 50 mil passageiros/hora em um sentido, sem dúvida o metrô é a melhor alternativa de transporte”, explica Walter, da Mercedes-Benz, que destaca que 21% das emissões de gases são de responsabilidade dos ônibus, 45% dos caminhões e o restante provém de automóveis e motocicletas.

Relação automóvel x ônibus

“Temos cerca de 6 milhões de automóveis e menos de 15 mil ônibus destinados ao transporte de 6 milhões de pessoas. A comparação é muito injusta”, avalia Francisco Christovam, da SP Urbanuss. Avelleda completa dizendo que deixar os ônibus mais confortáveis e tecnológicos ajuda a atrair mais passageiros: “ar condicionado e Wi-Fi, por exemplo, são medidas importantes, bem como reduzir as emissões”, complementa.

Descentralização das cidades

Tirar o foco do emprego dos centros empresariais e ampliar as possibilidades em locais mais povoados é outro ponto fundamental para melhorar os transportes nas cidades, como enfatiza o secretário de Transportes de SP. “Precisamos diminuir a demanda por viagens fora dos centros como Paulista ou Berrini, por exemplo. Cito o processo de concessão de ônibus para usar os terminais como pontos de desenvolvimento e implantação de atividade econômica vocacionada para essas regiões”, finaliza Avelleda.