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Futuro dos empregos, iniciativa pública e legado da Olimpíada no painel Tecnologia

Como a “internet das coisas” ajuda cidades e pessoas? Por que a obtenção de patentes demora tanto? Quais são as boas práticas de conectividade e urbanismo que podemos importar de Singapura? Quem, afinal, paga essa conta?

Esses e outros temas foram abordados no painel de Tecnologia da primeira edição do fórum Mitos & Fatos – Jovem Pan Discute, que recebeu especialistas e autoridades no assunto para debater as Cidades do Futuro. Com mediação do jornalista Carlos Aros, esse painel recebeu o ministro da Tecnologia, Gilberto Kassab, Siew Fei Chin, embaixadora de Singapura no Brasil, Daniel Mangabeira, diretor de políticas públicas do Uber, Fabro Steibel, diretor do Instituto de Tecnologia & Sociedade do RJ, e Mario Rachid, diretor-executivo de Soluções Digitais da Embratel.

Para começar, o ministro Kassab abordou a necessidade de investir em inovação e políticas públicas que proporcionem avanços. “Temos R$ 2,7 bilhões investidos nesse sentido. No dia 4 de maio vamos lançar o primeiro satélite de propriedade do Brasil para espalhar banda larga por todo o território nacional”, contou Kassab. Mario Rachid, da Embratel, também abordou o tema. “Quanto mais a gente puder trabalhar junto com o governo, melhor. Por isso as parcerias são importantes”, avalia, enxergando o lado da iniciativa privada para o desenvolvimento da tecnologia no Brasil.

Alguns outros temas também fizeram parte do painel. A seguir, você acompanha os principais destaques:

Empecilhos para conectar a população

“Se em São Paulo ainda temos regiões sem conexão, imagina o resto. Faltam investimentos e isso está sendo recuperado com o satélite, privilegiando essas regiões”, explica Kassab, que enfatiza o real destino da capacidade desse satélite. “30% será direcionado para o monitoramento das nossas fronteiras, 10% para a saúde pública e 10% para educação. O resto é para corrigir áreas e investir em setores estratégicos para a economia, como o agronegócio”, completa.

Demora nas patentes

“Esse é um problema seríssimo e que emperra nosso desenvolvimento. A ideia é que possamos ter uma patente em menos de um ano, bem como a abertura de empresas”, avalia Kassab. Fabro Steibel completa: “temos que criar formas de o cidadão poder colaborar. Uma parte da cidade do futuro em que precisamos pensar são empresas falando com empresas.”

A importância do financiamento

“Financiamento é público e privado. Historicamente, o público no Brasil é reduzido, o que compromete nossa capacidade de desenvolvimento. Promover incentivos, articular parcerias com o privado é essencial para atingirmos nossos objetivos”, avalia Gilberto Kassab.

Os desafios de São Paulo

“São Paulo, em comparação com Singapura, tem território físico 11 vezes maior, mas temos quase 6 milhões de pessoas em Singapura, com desafios maiores e espaços limitados”, pondera a embaixadora de Singapura no Brasil, dizendo que, diante disso, é essencial pensar no uso da tecnologia como algo que gere impacto positivo na vida das pessoas. “Para nós, temos que ter infraestrutura eficiente para o uso da tecnologia, seja em saúde, transporte, moradia, planejamento, etc.”, completa.

Mais tecnologia = menos empregos

“Se pensamos com a lógica de ativos subutilizados, essa análise de que tecnologia corta empregos para em pé, mas, se imaginarmos que tecnologia pode gerar mais produtividade em relação a hoje, vemos que ela pode aumentar os empregos”, avalia Daniel Mangabeira, do Uber. “No futuro podemos falar de uberização para entender tecnologia como vetores de eficiência e maior produtividade nas cidades”, completa.

“A educação é fundamental para uma cidade do futuro. É preciso ter uma boa gestão e pensar de uma forma mais ampla, preparando as pessoas para usar a tecnologia. Se vamos perder emprego por causa do Uber, vamos gerar mais empregos em outro setor”, avalia Siew Fei Chin.

A importância das parcerias

Mario Rachid, da Embratel, enfatiza que as parcerias entre instituições públicas e privadas são determinantes para que a tecnologia no Brasil avance. “Ninguém faz nada sozinho. Temos isso bem claro na sociedade. Essa transformação vai existir, é um fato, e precisamos nos preparar para ela e trabalharmos todos juntos”, diz.

Como utilizar os vetores tecnológicos a nosso favor?

“Temos que entender nossa cidade do presente e quais são os problemas. A tecnologia é certamente um vetor para que o convívio urbano seja mais caloroso do que nas cidades do presente”, explica Daniel, do Uber. “A tecnologia tem que ser usada para aumentar o recurso criativo que temos nas cidades, que é o humano. Quando você consegue pensar em tecnologia que funcione com humanos, os resultados são extraordinários”, completa Fabro Steibel.

Qual é o legado dos Jogos Olímpicos em tecnologia?

Para Mario Rachid, da Embratel, a herança deixada pela Olimpíada do Rio é imensa. “Conseguimos fazer uma Olimpíada e Copa do Mundo no Brasil, com recorde em tecnologia, sem nenhum problema. Investimos bilhões de reais aqui no Brasil com o objetivo de colocar melhor tecnologia e novas aplicações”, conclui.