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SUS, parcerias e cuidados preventivos em pauta no painel de Saúde

O SUS (Sistema Único de Saúde) é a melhor alternativa para o Brasil? As clínicas populares são uma boa saída para democratizar o acesso a um serviço de saúde de qualidade? Como os hospitais privados podem contribuir para melhorar os serviços de saúde pública no Brasil?

Esses foram alguns dos temas abordados no painel de Saúde no fórum Mitos & Fatos – Jovem Pan Discute, que elegeu o tema “Cidades do Futuro” como foco de seu primeiro evento, reunindo nomes como o ministro da Saúde, Ricardo Barros, David Uip, secretário estadual de Saúde, Sidney Klajner, presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, e Renato Velloso, diretor do Dr. Consulta.

Mediado pelo jornalista Thiago Uberreich, o painel começou com a polêmica e inevitável questão: afinal, o SUS é eficiente? Para Ricardo Barros, muito. “O SUS é um dos melhores sistemas do mundo de saúde universalizada. 150 milhões de brasileiros dependem do SUS e 20 milhões têm plano de saúde e utilizam eventualmente o SUS”, destaca o ministro, destacando que, anualmente, são transferidos R$ 80 bilhões para estados e municípios com a finalidade de manter o Sistema Único de Saúde.

Para David Uip, o SUS é eficiente, porém o cenário do Brasil como um todo faz com que seus serviços não tenham o máximo de eficiência. “50% do país não tem saneamento básico, por exemplo, e a saúde faz parte de um elo importante. Temos que trabalhar fortemente com prevenção e conscientizar a pessoa de que ela é responsável pela sua saúde”, completa. “O SUS é um sistema muito bem pensado, mas sem dúvidas a amplitude dele requer gestão. Nosso modelo é todo baseado em gestão”, contrapõe Renato Velloso, da rede Dr. Consulta, que realiza 120 mil consultas/mês.

A seguir, confira os principais temas abordados no painel de Saúde e o que os especialistas pensam de cada um deles:

Chegada do prontuário eletrônico

Uma das medidas mais esperadas no SUS é a chegada do prontuário eletrônico, algo que, segundo o ministro da Saúde, está perto de chegar. “Teremos prontuário eletrônico da pessoa em qualquer lugar do mundo em que ela esteja. Isso vai facilitar um diagnóstico mais preciso e otimizar recursos”, afirma.

Gargalos no Estado de São Paulo

David Uip pontua que os principais gargalos de SP está nas cirurgias de prótese e órtese. “A culpa é nossa, que não soubemos organizar o sistema a ponto de que quem tem uma gripe seja atendido na Unidade Básica de Saúde e quem precisa de um transplante vá a um local especializado”, explica o infectologista, que tem sua opinião completada por Sidney, presidente do Hospital Albert Einstein.

“O SUS é um sistema único de saúde e, nesse sentido, há facilitação dos hospitais privados pelo fato de terem uma gestão mais eficiente e não estarem tão preso às regulações do sistema de saúde público”, completa.

Parceria com a iniciativa privada

“Estamos usando a terceirização, pois existem especialidades que você não consegue contratar. Ou terceiriza os profissionais ou não tem prontos-socorros abertos”, explica David Uip. Para Sidney Klajner, o sistema privado tem como ajudar muito mais do que apenas na iniciativa Corujão da Saúde. “Participamos de consultorias e na regionalização de organização não-municipais com foco em prevenção e atenção primária”, conta o presidente do Einstein, enfatizando que 30% das internações no País poderiam ser evitadas caso houvesse atenção primária.

Importância dos cuidados preventivos

Mais do que tratar, é fundamental prevenir o surgimento de doenças para evitar que o sistema de saúde fique sobrecarregado. “Somos resolutivos em 96% dos casos e apenas 4% dos nossos pacientes precisam de procedimentos de alta complexidade. Apenas 8% dos atendimentos precisam de segundo atendimento”, explica Renato Velloso, do Dr. Consulta, uma rede de clínicas médicas com mais de 1.000 profissionais em clínicas próprias.

“A alta complexidade de procedimentos talvez pudesse ser evitada caso o paciente tivesse mais cuidado com a saúde por meio de uma mudança cultural, para evitar condições que vão culminar em maior risco de procedimentos”, adiciona Dr. Sidney.

O que falta para melhorar o SUS

Atualmente, o SUS oferece 850 medicamentos e 4.500 procedimentos a todos os brasileiros, mas o serviço ainda é ineficiente por conta de problemas de gestão, como explica Ricardo Barros. “A saúde brasileira é um exemplo e não falta dinheiro, mas gestão. Para se ter uma ideia, 30% das pessoas falta a consultas e isso nos traz grande prejuízo”, conta.

“Nosso modelo é complementar e a gente se propõe a fazer a gestão da saúde com consultas e exames”, fala Renato, do Dr. Consulta, enfatizando que clínicas particulares são uma alternativa tanto para quem dispõe de planos de saúde quanto para os que utilizam o SUS.