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Elias Gomes

Burocracia e falta de financiamento: se o governo parasse de atrapalhar, facilitaria a vida dos empreendedores

Não é fácil empreender no Brasil. Você pode nem fazer parte do mercado de inovação, mas com certeza já ouviu essa frase em algum momento de sua vida. Essa questão foi discutida no segundo painel do fórum Mitos e Fatos sobre Empreendedorismo nesta segunda-feira (30) no Palácio Tangará, em São Paulo. Os participantes da conversa foram Bruno Caetano (superintendente do Sebrae São Paulo), Marcela Zonis (diretora de relações institucionais da Endeavor), Flavio Pripas (diretor do Cubo) e Gustavo Torres (diretor do Idexo). A mediação ficou por conta do comentarista da rádio Jovem Pan Felipe Moura Brasil.

“O Micro Empreendedor Individual tem sido uma revolução em um País tão burocrático que penaliza tanto os empreendedores. O MEI é de 2008 e desde lá foram abertos mais MEIs do que a somatória de empresas de todas as outras categorias. Qual o sinal que podemos tirar disso? É a população falando para o governo ‘olha, não prejudica mais a gente’. Temos que aprender com isso. As mudanças pararam por aí infelizmente”, iniciou Bruno.

Marcela seguiu citando uma série de dados retirados de uma pesquisa recente. Segundo ela, 86% das empresas brasileiras estão com alguma desconformidade – o que acaba se tornando, em suas palavras, “um prato cheio” para criar dificuldades e gerar instabilidade e corrupção.

“Fica difícil montar um negócio. No Brasil, o Estado atua contra fazendo com que o empreendedor deixe de gastar horas valiosas em inovação apenas aprendendo como lidar com as burocracias”, afirmou. “Sem contar a complexidade tributária e a insegurança jurídica. O governo muda as regras ao longo do jogo, ficamos a mercê disso”.

Bruno aproveitou a deixa para compartilhar outro dado preocupante. O tempo médio que o empresário perde para aprender como funcionam leis, regras e tributos nos Estados Unidos é 175 horas. Já no Brasil, 2038 horas. Do ranking de 190 países, ficamos somente na frente de dois.

“Enquanto você perde tempo com burocracias, tem alguém por aí que está realmente trabalhando. Isso fica na formação do brasileiro. Ele é ensinado a ficar dentro dos limites e é pouco incentivado a criar negócios globais. Alguém aqui acredita que pode construir um Google? Uma Apple? Não. Porque? Precisamos acreditar”, argumentou Gustavo.

Flavio lembrou, então, que o momento atual é ideal para começarmos a pensar em mudanças. Afinal de contas, estamos prestes a entrar em ano eleitoral.

“Precisamos pensar na gente, não em candidatos. Nosso papel é tentar influenciar. Temos que virar a chave no governo. Hoje ele tem a mentalidade de que precisa criar tudo, dominar tudo. Mas existem experiências de fora onde o governo está lá para viabilizar um ambiente justo, não para criar tudo. Quem tem sucesso não é quem cria, mas quem orquestra pessoas, tecnologias, plataformas. Essa mentalidade poderia abrir um campo enorme”, disse. Como exemplo, citou a recente modificação no sistema de Zona Azul na capital paulista. “O governo não fez o app. Fez uma estrutura com várias empresas que estão ganhando com isso. Se o governo tivesse sempre essa mentalidade de apenas criar condições, colocaríamos o País em outro patamar”.