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Existem alimentos malignos? Ou são as pessoas que se alimentam mal?

Estas foram as perguntas que nortearam o quarto painel do Fórum Mitos & Fatos: Alimentação do Futuro. E em uma coisa todos os palestrantes concordaram: não existe apenas um, mas vários fatores que influenciam na alta dos preocupantes índices de doenças ligadas a hábitos alimentares ruins em todo o planeta.
“Vida estressante na cidade, falta de atividade física, inexistência do hábito de cozinhar, crianças passando 8 horas por dia em frente a telas de televisão, tablets, computadores e celulares. Como manter a saúde assim em grandes centros urbanos? Hoje sabemos que os problemas não são setorizados. Tudo é global. Precisamos levantar o olhar para entender como cada um contribui para a péssima qualidade de saúde dos nossos adultos e das nossas crianças”, explicou Gisela Solymos, gerente geral do CREN.
Luiz Roberto Guimarães, professor da Universidade Federal de Lavras, citou também o papel dos agrônomos nessa batalha. Atualmente, segundo ele, estes profissionais conseguem até mesmo adicionar nutrientes em algumas espécies de plantas e fazer com que elas se tornem alimentos muito mais nutritivos aos consumidores.
O secretário da agricultura Arnaldo Jardim ressaltou ainda que devemos dar atenção à saúde não só dos consumidores, mas também dos próprios trabalhadores rurais. “Os equipamentos nas fazendas eram bem antigos, a luva não permitia o manuseio, as roupas os faziam derreter com o calor. Muitos deles preferiam não usar nenhuma proteção! Nós fizemos com que os equipamentos fossem modificados”, contou.
Filipo Pedrinola, endocrinologista formado pela Faculdade de Medicina da USP, terminou o encontro citando alguns movimentos interessantes que têm aparecido em todo o mundo, como a tendência “slow food”. “É uma oposição ao fast food. Seja em relação ao alimento plantado ou ao da indústria, a ideia é que as pessoas aprendam a lidar com a comida, a estimular seus sentidos, a adquirir consciência sobre o que ingerem, a pensar nos ingredientes, na origem, em como tudo é feito”, pontuou.