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É possível garantir a segurança alimentar sem reduzir o ritmo da produção?

Para discutir o tema da segurança no Fórum Mitos & Fatos: Alimentação do Futuro, os convidados escolhidos representaram segmentos distintos de toda a cadeia de produção. Foram eles Ladislau Martin Neto, diretor da Embrapa (instituição pública de pesquisa agropecuária); Marcio De Maria, diretor da Tetra Pak (empresa de processamento e envase de alimentos); Geraldo Berger, diretor da Monsanto (multinacional de biotecnologia); e Luiz Pretti, presidente da Cargill (empresa de serviços e produtos alimentícios).
Martin Neto iniciou o debate com uma desmistificação. “Existe o mito de que é fácil produzir agricultura nos trópicos. Que é só colocar a semente e esperar. Nem de longe essa é a realidade. É tudo baseado em ciência e inovação”, disse. “Por isso nossa agricultura faz diferença para o planeta. Se vamos falar em segurança alimentar, sabemos que não existe evolução só pensando em quantidade, mas em quantidade com qualidade. Podemos ser plataforma de exemplo para o mundo”.
Berger seguiu em linha de pensamento semelhante. “Uma das coisas que temos feito é criar uma ponte entre o rural e o urbano. A biotecnologia dobrou a produtividade média no Brasil nos últimos 7 ou 8 anos. E, para chegar à meta de 40% nos próximos 10 anos, vamos precisar de ainda mais. Digitalizar a agricultura, por exemplo”, destacou.
O representante da Tetra Pak, por sua vez, comentou como sua empresa tem também um papel fundamental na garantia da segurança. Para ele, desenvolver embalagens convenientes aos consumidores, que sejam de material adequado e fácil manuseio, contribui para gerar menos desperdício e preservar as características importantes dos alimentos.
Finalizando o painel, Pretti pontuou outro componente fundamental envolvido na cadeia produtiva: a logística. Citando rodovias recentemente destruídas por chuvas e outros fatores climáticos, concluiu que, embora a produção nacional ocupe uma linha de frente mundial, existem muitos caminhos a serem percorridos.