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Combater o desperdício, desafio que vai do plantio até a mesa

O desperdício é um dos fatores que precisa ser combatido a curto e longo prazo se quisermos alcançar uma alimentação mundialmente saudável e sustentável. Essa é a unanimidade. Agora, quais são as maneiras de se fazer isso? O primeiro passo parte da agricultura, da indústria ou do cidadão? Esses e outros debates foram travados no primeiro painel do Fórum Mitos & Fatos: Alimentação do Futuro.
Anita Gutierrez, doutora em engenharia agronômica do CEAGESP, explicou inicialmente que existem diferentes tipos de perda para os perecíveis, especialmente as frutas e hortaliças. Uma parcela pode ir para o lixo, outra parcela pode ter perda de valor devido a “ferimentos” (partes amassadas, furadas ou cortadas), outra pode perder água. De qualquer forma, para ela, o manuseio inadequado é um dos principais problemas. Citou inclusive um estudo que mostra que 40% das perdas totais vêm de danos mecânicos. “No varejo, às vezes despejam os alimentos na gôndola, por exemplo. É um desastre”, afirmou.
O vice-presidente da BASF Eduardo Leduc completou o raciocínio com outro questionamento. “Outro problema é que a perda é precificada ao consumidor. O agricultor no Brasil tem feito trabalhos espetaculares. Só que no ‘pós-porteira’ eles precificam a perda. Precisam cobrar apenas o que o consumidor consome, não cobrar também a parte que provavelmente vai ser jogada fora”, disse.
Por último, Marcio Milan, superintendente da ABRAS, e Fernando Turra, presidente executivo da ABPA, falaram sobre o cenário da pecuária. O primeiro destacou a importância da comunicação eficiente no incentivo à produção e ao não-desperdício. “Um exemplo: teve uma época em que a carne de porco fazia mal, mas a suína não (risos). Só com a comunicação conseguimos elevar o consumo”, exemplificou.
Na mesma linha, Turra, assim como o senador Ronald Caiado (DEM) havia feito anteriormente, também comentou a Operação Carne Fraca. “O Brasil é visto como uma grande reserva na produção de alimentos no mundo. Nossa carne é muito forte, não é fraca”, brincou. “A operação é boa, mas deu margem a manchetes como ‘Brasil vende carne podre’. Como, se toda nossa carne é fiscalizada inclusive pelos importadores? Nossa carne é admirável. Temos que mostrar o que temos de precioso”.