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Guilherme Afif: ‘Os pequenos empresários carregam o Brasil nas costas’

Na manhã desta segunda-feira (22), o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, abriu os debates do Fórum Jovem Pan Mitos e Fatos, que, nessa edição, discutiu micro e pequenas empresas. Para ele, quem “carrega o Brasil nas costas são, em termos de geração de empregos e renda, os micro e pequenos empreendedores”. Ele pontua que as grandes empresas desempregaram cerca de 1,3 milhão de pessoas, enquanto as micro e pequenas empresas geraram 11 milhões de novos empregos.

“Este cenário é favorável ao empreendedorismo, mesmo com os entraves burocráticos, mesmo com a estagnação na geração de empregos de indústrias como a automobilística que “dobrou a produção, mas manteve ou até diminuiu o número de empregados”, enfatizou.

O Brasil real

Para Afif, economista experiente e um dos nomes por trás do Simples Nacional, existe um “Brasil real” que é composto, em suma, pelo universo das pequenas empresas “fortemente endossado” pelos MEI – Microempreendedores Individuais.  “[O MEI] é o maior programa de inclusão econômica do mundo. Temos 8 milhões de MEI, o que significa quase 2,5 vezes a população do Uruguai. Tínhamos mais de um pais de trabalhadores informais. Eles são fora da lei? Não, a Lei é que está fora deles. A tendência é o crescimento no número dos micro e pequenos empresários”, cravou.

Um dos pontos centrais da participação de Afif no evento foi sua ressalva sobre o momento do mercado de trabalho brasileiro. Para o empresário, nos prendemos à busca por empregos com carteira assinada mais do que ao trabalho em si. “Veja a terceirização, hoje há uma composição entre grandes empresas e os pequenos de uma terceirização tecnológica. Este processo está acontecendo nas grandes empresas. Elas têm uma burocracia que acaba amarrando a criatividade, soltando-os eles produziram coisas que não imaginamos”, refletiu.

O avanço precisa continuar

Que o Brasil tem investido nos microempreendedores já se sabe, porém, Afif ressalta que apesar dos avanços ainda há muito a ser feito. Para se obter um CNPJ hoje bastam alguns cliques e uma visita ao órgão responsável pelo registro. Essa facilidade, criada e aprimorada nos dez anos de existência do programa MEI, é importante, mas demanda mudanças estruturais.

“Se há a burocracia para se tomar dinheiro ela está no [sistema] financeiro. O sistema financeiro é oligárquico, não há concorrência, o Banco Central normatiza tudo, as regras para abrir conta ou pegar empréstimos são tão absurdas que mais de 80% das micro e pequenas empresas não tem acesso ao credito e quando o tem cai no especial com 360% de juros ao ano, é agiotagem oficial”, criticou.

Os bancos não foram os únicos alvos das reivindicações de reforma de Afif. Para ele, os verdadeiros empreendedores são aqueles que investem em longo prazo. “O sistema financeiro hoje está aí para sustentar o Estado e não a nação. Ele capta para emprestar ao governo. Hoje temos o Rentismo, pessoas ganhando dinheiro com dinheiro e não com trabalho […] não temos política econômica de desenvolvimento, apenas fiscal e monetária, e a taxa de juros está sempre lá em cima para beneficiar o rentista em detrimento de quem trabalha”, concluiu.