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Economistas entram em consenso: falta coordenação de políticas públicas para valorizar os pequenos empresários

Empreender no Brasil requer paciência. As etapas complexas de abertura de empresas, somadas a todos os trâmites burocráticos, dificultam o empreendedorismo tanto para os mais leigos quanto para os experientes. De acordo com um estudo realizado em 2015 pela Endevoar, abrir uma empresa leva, em média, 129 dias. Esse estudo compara a situação brasileira com outros países como o Chile (5 dias), o México (6 dias) e a Índia (28 dias).

O Painel “É possível tornar o ecossistema brasileiro menos hostil para o empreendedor?” do fórum Mitos e Fatos da Jovem Pan, realizado nesta segunda-feira (22), reuniu Matheus Moraes, presidente da 99Táxis, Bruno Caetano, do Sebrae/SP, Juliano Seabra, do TOTVS e Marcus Salusse, da FGV/CENN. Para os quatro convidados, uma coisa é certa: falta coordenação de política pública para valorizar os micro e pequenos empresários e ajudá-los a superar os desafios de um país em crise.

Para Juliano Seabra, um dos desafios que precisam ser superados é o que chamou de “síndrome dos pequenos poderes”. Ele explica que as disputas de poder entre repartições públicas geram entraves que se somam às burocracias e criam barreiras para quem deseja empreender. Bruno Caetano acrescenta que falta “visão cooperativa entre os entes federativos”. “O pequeno sofre mais, o médio e o grande tem quem faça as contas por eles, eles têm como pagar. O pequeno está praticamente sozinho, acorda, leva os filhos à escola, vai ao mercado, faz tudo”.

De onde virá a solução

O perfil dos novos empreendedores mudou. De acordo com o time de especialistas, a maior parte dos novos empresários é de mulheres, entre as quais as mais jovens estão crescendo. Apesar das boas notícias, ainda há entraves que precisam ser superados. Matheus Moraes mostrou-se otimista com o futuro. Para ele, as dificuldades são o campo de atuação dos empreendedores: é lá que surgem as oportunidades de negócios.

“Um recado para o futuro: temos muito problema e problema bom para resolver”, pontuou. Moraes concluiu sua participação no painel cravando: “A solução não virá das grandes corporações, virá dos novos bancos. Os investidores internacionais estão investindo lá embaixo, em quem começou na faculdade, gente que começou pequeno […] Ao invés de ter abismos, precisamos construir pontes”.

Marcus Salusse acrescentou às soluções a importância da formação empreendedora para que as boas ideias cheguem mais longe. “Achar que empreender é algo que se faz na raça é algo que faziam nossos pais. Os novos empreendedores partem da educação, da capacitação, mas isso ainda é baixo. Precisamos capacitar o empreendedor e o funcionário. Capacitar a pessoa que está na ponta e que vai precisar aplicar as novas tecnologias”, refletiu. Salusse foi além e no seu recado final mostrou-se tão otimista quanto os colegas: “O empreendedor é resiliente, é aquele que enxerga oportunidade onde muitas vezes ninguém vê”.