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Economistas do PT e PSL concordam em rever carga tributária, mas discordam sobre o método

A cinco dias do segundo turno das eleições, o Fórum Jovem Pan Mitos e Fatos trouxe os assessores econômicos dos dois presidenciáveis para debaterem os programas de cada candidato com foco nos micro e pequenos empreendedores.

Do lado petista, quem fala pelo projeto econômico da chapa de Fernando Haddad é Guilherme Mello. Já Carlos Alexandre da Costa compareceu como representante de Jair Bolsonaro, do PSL, primeiro colocado nas pesquisas de intenção de voto.

Em suas falas iniciais, Mello e Costa pareciam seguir para um lugar comum no liberalismo econômico, ambos pontuaram a complexa e alta carga tributária brasileira. O assessor do PSL chegou a elogiar o colega, mas o discurso engrossou quando os métodos para a retomada do crescimento econômico entraram em cena.

Perguntados sobre as propostas dos candidatos que representavam, as divergências se tornaram mais acentuadas. Enquanto Costa aposta na redução do corpo do Estado, Mello discursou em favor de simplificar a estrutura estatal associando esse movimento a redução de impostos sobre produção e consumo. Para ele, os impostos devem ter como foco as rendas muito altas, Mello ainda falou em aumento no imposto direto.

“É muito difícil um empreendedor começar sua vida sem crédito ou manter o crédito. Cinco bancos dominam mais de 80% dos mercados, e eles concorrem pouco […] se esses bancos competissem haveria melhora. Regra de mercado: quem oferece melhores condições, paga menos impostos”, afirmou o representante de Haddad. “O banco do brasil, banco público, faz um ótimo trabalho em credito rural, mas ao longo dos governos anteriores foi o banco que cobrou mais spread bancário do pequeno e médio empresário. Precisamos tirar o peso do estado, reduzir os juros”, defendeu Costa. O representante de Bolsonaro aproveitou para sinalizar para o mercado e mostrou otimismo ao anunciar uma expectativa de crescimento do PIB em 3,5% no primeiro ano de um eventual governo de seu candidato.

Já para Guilherme Mello a solução não virá tão rápida quanto supõe Costa. O petista afirma categoricamente que é difícil cumprir uma agenda de crescimento econômico dessa magnitude em apenas 12 meses, “Não existe ajuste das contas públicas com estagnação. Diferente da outra candidatura, não estamos nos comprometendo a resolver tudo em um ano”, disse. Ele ainda aproveitou para lançar o desafio: “se alguém se compromete a zerar o déficit em um ano eu quero ver as contas, porque elas não batem, me mostrem e aí conversamos”.

O que propõe cada chapa

Jair Bolsonaro e sua equipe de economistas propõem, segundo Costa, um enxugamento do Estado. A ideia não é nova, mas Costa deixa claro que um eventual governo do seu candidato deve focar os esforços na privatização de empresas estatais e na venda de imóveis do Estado. “Nossa dívida bruta é gigantesca, chegando a 90% do PIB. Precisamos reduzir essa dívida. Nós, felizmente, temos patrimônio. Temos centenas de estatais e milhares de imóveis públicos. Precisamos usar isso para cobrir a dívida. Precisamos de um ajuste previdenciário justo e que reduza o déficit que existe”, indicou.

Mello sugeriu um caminho diferente ao oferecido pelo PSL e criticou as políticas econômicas dos anos de ditadura militar e dos governos de Fernando Henrique Cardoso. “O brasil é um verdadeiro manicômio tributário. Quem criou essa estrutura tributária foram os militares; na década de 1990 houve um crescimento ainda maior na carga tributária, vendemos o patrimônio público, aumentamos a carga tributária e ainda sim aumentamos a dívida. Tanto que o Brasil quebrou em 1999 e em 2002”, afirmou.

A solução, para ao assessor de Haddad, é aliar distribuição de renda a renegociação de dívidas dos pequenos empresários e famílias, plano sugerido pelo candidato Ciro Gomes e adotado pelo PT quando o político ficou pelo caminho no primeiro turno.  Mello também falou sobre revisão de privilégios e o desmonte do que chamou de cartel bancário, “Há uma série de privilégios no setor público, como pessoas que ganham acima do teto. Auxílios absolutamente injustificáveis. […] precisamos mexer no cartel bancário, temos que fazer essa reforma, porque esse cartel trava o empreendedorismo no Brasil”, concluiu.