“A Lista de Schindler”, um dos melhores filmes da história, volta às telas na comemoração de 25 anos de seu lançamento

Liam Neeson: atuação memorável no papel do empresário que salva mais de 1000 judeus dos nazistas

De Paula Carvalho

A partir da próxima semana, A Lista de Schindler, considerado um dos dez maiores filmes americanos da história pelo American Film Institute, volta às telas da cidade em comemoração aos 25 anos do lançamento do longa de Steve Spielberg. Em São Paulo, a programação começa no dia 1º de maio, com uma exibição no clube A Hebraica. Em seguida, ele ficará em cartaz de 2 a 8 de maio no Cinemark do Shopping Higienópolis e entre 2 e 7 de maio no Cinemark Iguatemi.

Filmada em preto e branco para ressaltar a carga dramática da história baseada em fatos reais, a obra conquistou sete Oscares, incluindo as categorias de Melhor Filme e Melhor Diretor (Spielberg), além de Melhor Trilha Sonora Original, uma das criações mais emocionantes compostas por John Williams. Se não bastasse, a produção ainda arrematou 3 Globos de Ouro e 7 BAFTAs.

A trama se passa em 1939, quando o empresário alemão Oskar Schindler, membro do Partido Nazista, passa a usar mão de obra judia em seus negócios durante a Segunda Guerra Mundial. Ele consegue inúmeras autorizações para levar judeus para suas fábricas, tirando-os dos campos de concentração. O empresário perdeu tudo o que tinha, mas salvou mais de 1000 judeus durante o Holocausto. O filme foi baseado no romance Schindler’s Ark escrito por Thomas Keneally.

Um dos pontos fortes do longa é o elenco. Liam Neeson encarna o protagonista e sua atuação ilustra bem as contradições do empresário, assim como a transformação ocorrida na vida do homem de negócios oportunista e bon-vivant. À medida em que ele se depara com os horrores da guerra, começa a mudar de atitude a ponto de arriscar sua posição social e fortuna para salvar uma parte do povo perseguido pelos nazistas. Ben Kingsley também brilha no papel de contador judeu de Schindler e Ralph Fiennes convence na pele do neurótico e desumano oficial da SS Amon Göth. Durante as comemorações dos 25 anos da produção, Spielberg esclareceu que nunca ofereceu o papel de Oskar Schindler para Mel Gibson e que os produtores do filme chegaram a considerar a ideia de ter Martin Scorsese como diretor da produção.

Antes do filme, Spielberg já havia tido cinco oportunidades de ganhar o Oscar, somando-se as indicações de melhor filme e melhor diretor por E.T, o Extraterrestre, Contatos Imediatos do Terceiro Grau, Caçadores da Arca Perdida e a Cór Púrpura. Acabou sendo preterido em todas elas. Sua primeira consagração no Oscar ocorreu com A Lista de Schindler. Inicialmente, um dos temores do diretor era que o público não entendesse que o enredo era baseado em uma história verídica. Por isso, no final, incluiu uma cena na qual os sobreviventes do campo de concentração retratado na trama caminham de mãos dadas com os atores que interpretam os personagens principais, até colocarem pedras na lápide de Schindler (costume judeu para indicar gratidão aos mortos).