De “Eclipse of the heart” a “Separate Ways”, relembre os dez videoclipes mais bizarros da história da MTV

Bonnie Tyler: sonho surreal em formato de videoclipe

De Roosevelt Garcia

No início dos anos 80, a MTV fez um grande barulho ao exibir músicas 24 horas por dia, o que gerou um novo mercado: o da produção de videoclipes.  Antes da chegada da emissora americana, algumas canções até ganhavam uma versão em vídeo, mas o expediente era bem raro. De repente, explodiu o recurso de “mostrar” também os hits. Mas nem sempre era tarefa fácil criar uma obra visual interessante ou contar uma história verossímil em apenas 3 ou 4 minutos sem cair no ridículo. Por isso, grande parte dos videoclipes daquela época são um tanto estranhos. Usavam à exaustão recursos técnicos de composição de imagens (que hoje parecem jurássicos) e também abusavam dos temas futuristas para dar a ideia de modernidade. Relembre a seguir algumas pérolas do período:

Total Eclipse of the Heart – Bonnie Tyler: um sonho surreal reunindo todos os clichês do repertório visual brega. O pior é que combina perfeitamente com a música!

Separate Ways – Journey: a diversão está garantida logo nas primeiras cenas, com os músicos fazendo caretas e tocando “air keyboards” e “air guitar”.

Don´t Go – Yazoo: em um autêntco samba do tecnopop doido movido por uma insuportável frase de um teclado bem agudo, cabe no enredo até uma caveira e um Frankestein

Head Over Heels – Tears For Fears: outra obra-prima do surrealismo, com um rabino fazendo solo de bateria, um macaco na biblioteca e o grand-finale com a banda fazendo um dublagem bem tosca da música 

I Ran – A Flock of Seagulls: uma banda fingindo tocar dentro de uma sala de espelhos e maquiagens toscas inspiradas nos replicantes de Blade Runner

Turn up the Radio – Autograph: um festival de permanentes e mullets interagindo com um Robocop

Right Between the Eyes – Wax: ganha um prêmio especial na categoria de roteiros hiper-literais com a letra da música ao colocar uma mulher dançando “bem no meio” de um par de óculos escuros

Harden My Heart – Quarterflash: anão, malabaristas e uma interpretação circense da cantora

Hold Me Now – Thompson Twins: ok, a moda da época não ajudava muito, mas precisava fazer a banda passar o tempo inteiro dublando em um palco com um fundo azul?

Clouds Across the Moon – Rah Band: deve ter batido o recorde de uso de papel-alumínio para criar uma clima futurista. Acabou ficando uma homenagem involuntária aos antigos seriados de ficção-científica, a exemplo de Perdidos no Espaço