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É hora de Andrés e sua oralidade deixarem o palco

É hora de Andrés e sua oralidade deixarem o palco

Andrés Sanchez é daqueles dirigentes que passam largamente distantes de serem incontestes. Não que eu lhe tire o benefício da dúvida, longe disso, todos têm direito a isso, mas os títulos conquistados sob suas gestões tampouco apagam a fraqueza de sua administração política e financeira.

No caso do atual presidente do Corinthians, não é de hoje que as dívidas batem à porta do Parque São Jorge. A pendência com a Prefeitura de São Paulo, por exemplo, já soma 28 milhões de reais – afora as multas sequenciais pelo ignorar constante das cobranças -, referentes ao não pagamento do IPTU da sede social no Tatuapé no período de 2014 a 2018. Se estivéssemos em um país sério, o clube já teria perdido a Fazendinha, mas, no Brasil, autoridades fiscais insistem na leniência com clubes esportivos. O recente bloqueio das contas, por conta do caso Jucilei, não é de assustar. Cito apenas dois dos inúmeros problemas, além do irresponsável caso de demissões de funcionários do clube, em detrimento dos jogadores, por ora com salários atrasados há, pasmem, três meses.

Não à toa Andrés se mantém no poder há 10 anos, como político que foi – alguns debochados podem dizer que sua participação pelos lados do Congresso terminou discreta e obscura – sabe do poder da palavra falada. Acuado pela desordem financeira e pela pressão interna da oposição (que sonha em tirar o grupo de Sanchez do poder) – estas acompanhadas de perto pela irresponsabilidade fiscal dos últimos anos – mais uma vez, usa de sua verborragia oral para acusar deliberadamente, carecendo de provas, torcedores palmeirenses pela vandalização e pichação da Arena Corinthians, horas antes do clássico que marca a volta do Campeonato Paulista.

Ora, deixo a pergunta no ar, como poderiam os vândalos terem escapado da intensa vigilância de seguranças, câmeras e controladores das mesmas, com tanta facilidade? Seria tão irresponsável a empresa terceirizada que cuida da proteção da Arena ou estariam os guardas distraídos com alguma outra ocupação?

Andrés joga com as palavras, de quebra, tenta jogar com a torcida. Convenhamos, nada melhor que uma pichação qualquer para desanuviar os ânimos e unir todo mundo em torno de um único objetivo. Dias atrás, a própria Gaviões da Fiel esteve na porta do CT Joaquim Grava pressionando por uma gestão apoiada em planejamento. Que presidente de clube, em fim de mandato e tentando eleger sucessor, gostaria desse incomodo, afinal, não?

E se a máxima de que resultado esconde tudo, nada melhor que um “incidente” capaz de unir todos em torno de um mesmo objetivo. Uni-vos.  Andrés deveria usar seu potencial como orador para sair dos holofotes.