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O país do futebol

O país do futebol

A final da Taça Rio terminou com o óbvio título do Flamengo e coroou a tragicomédia tétrica que antecedeu a final. A insistência mesquinha de Flamengo e Vasco, clamando pela volta desorganizada de um produto não essencial, se provou, mais uma vez, medíocre na bola. Foi um jogo protocolar de duas equipes que apenas pensaram no dinheiro da televisão ao pedir a volta imediata do futebol no Rio de Janeiro, sem qualquer senso de responsabilidade.

Aprendemos mais uma vez que quem pede fervorosamente pela “valorização do futebol”, em maioria, não entende absolutamente nada do que significam as próprias palavras. Clamar pela valorização do produto futebol é repudiar inteiramente a realização de eventos inexpressivos que não contribuem para o êxito deste mesmo produto. Apostam em jogos fracos e em detrimento do que deveria ser o importante: o Campeonato Brasileiro. Pelas circunstâncias já exploradas, causa repugnância a ganância que não se respeitou sequer os doentes internados no hospital de campanha do Maracanã, mesmo espaço do jogo.

Ao invés de “respeitarem” o minuto de silêncio antes da final, jogadores, dirigentes e presidentes dos clubes deveriam se envergonhar do que fizeram. Em campo, provou-se que continuamos os mesmos, parafraseando Belchior. Era claro o desânimo unido à falta de vontade dos jogadores. Talvez, tenham feito um grande serviço a quem assistiu a partida: nos lembraram do quanto nosso produto futebol é fraco tecnicamente. E permanecerá assim, enquanto o futebol continuar sendo jogado só pelo dinheiro e seguir mal gerido por dirigentes inglórios, que não respeitam nada, nem mesmo à dignidade humana.

Apenas provou-se que os times não queriam jogar. Afinal, não querem mesmo. Os campeonatos aqui são todos nivelados, sim, mas por baixo. Protocolarmente, visavam receber os centavos referentes às cotas de televisão e esse foi o motivo de todo alarido de Vasco e Flamengo desde o princípio. O jogo de quarta-feira (15) certamente entrará para a história e, em poucos anos, todos se recordarão da mesquinharia, da pequenez e do despropósito de dirigentes, que apoiaram o retorno destrambelhado de um campeonato que apenas serviu para estraçalhar a já deteriorada imagem do país no exterior.

Somos o país do futebol. Provamos isso ao mundo, que estampou capas de jornais com manchetes estarrecedoras. Sim, somos o país dos aloprados do futebol. Mas, não é só isso.