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Repensar nosso papel

Repensar nosso papel

O futebol brasileiro precisa evoluir, em todos os sentidos. Jorge Sampaoli e Jorge Jesus, em campo, conseguem mostrar que podemos nos acostumar com bons jogos por aqui. Ao falarmos de jogos ofensivos e com muitos gols, nos remetemos diretamente ao velho continente e, por muito tempo, muitos consideravam que este tipo de jogo seria inconcebível por aqui.

Sampaoli e Jesus elevaram a régua do futebol nacional, não somente para os outros técnicos – que sentem enorme pressão e precisam mostrar resultados -, como para nós, jornalistas. É momento de repensarmos nosso papel como perguntadores. Em diversas ocasiões, nos deparamos com perguntas fracas, baseadas em meras piadas e sem nenhum aprofundamento técnico, vazio de profundidade. E não há nenhuma falta de ética ao criticar nosso nível atual.

Se não sabe-se que pergunta fazer, melhor que não se faça. É momento de voltar-se para o próprio quintal, afinal, somos os primeiros a criticar técnicos, dirigentes, jogadores e torcedores, mas, precisamos nos atentar para nosso papel. O papel ético é este: pensar nossa responsabilidade para o atual nível baixíssimo do futebol brasileiro.

Nelson Rodriguez já escreveu que não existem bons pregadores, afinal, teriam de seguir o que dizem, em resumo: bom pregador é o que segue suas próprias palavras. Estes são os maus pregadores da imprensa, aqueles que dizem a troche y moche, diria Pablo Neruda, a torto e à direita, que não é ético criticar profissionais da mesma área. Não é ético, na verdade, aceitar que somos guardiões da moralidade futebolística, uma mentira. O trabalho tem de ser crítico, conosco mesmos, principalmente.