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Peacock chega nos EUA e no Canadá e entra para a briga das plataformas de streaming

Divulgação
Peacock chega nos EUA e no Canadá e entra para a briga das plataformas de streaming
Ixi...mais um serviço para assinar...

Peacock é oficialmente lançado pela NBCUniversal

A NBCUniversal coloca no ar, nos territórios americano e canadense, o Peacock, a plataforma de streming que oferece 13 mil horas de conteúdo gratuito, desde que o assinante não se incomode com os comerciais inseridos para garantir o “grátis”.

Existem duas frases da literatura americana que ajudam a explicar o que está acontecendo no mercado americano de canais de streamings, a primeira é do lendário Mark Twain que diz que “água, tomada com moderação, não pode fazer mal a ninguém”, enquanto que Thomas Fuller diz que “enquanto o poço não secar, não sabemos dar valor à água”.

Para entender um pouco sobre essas metáforas, vamos voltar no tempo, quando a Netflix começou suas atividades como a melhor locadora de filmes, séries, e etc. dos Estados Unidos. Sua grande estratégia foi usar a internet como suporte nas locações e vendas. Ela expunha seu conteúdo, o consumidor escolhia o filme, fazia o pedido, que era entregue pelo correio ou algum outro serviço de entregas, no dia seguinte ao pedido. E para devolver o DVD, bastava o consumidor colocar o disco numa embalagem que vinha junto, e jogar numa caixa do correio. Pronto, fechado o ciclo da comodidade com o cliente satisfeito.

Dados indicam que em 2007, a Netflix havia entregue seu bilionésimo DVD. Foi quando tudo começou a mudar. O uso da internet para entregar esse conteúdo começou a ser possível com o desenvolvimento das plataformas de streamings. A Netflix começou a distribuir esse conteúdo por essa nova plataforma, e foi seguida pelo Hulu, um serviço montado com os conteúdos da Fox, Disney e Universal.

Outros serviços de vídeo on demand começaram a operar, basicamente oferecendo o conteúdo das Redes americanas de TV, como o CBS All Access. A grande virada aconteceu em 2013, quando o canal streaming Netflix anunciou o lançamento de suas primeiras séries originais, House of Cards e Orange Is The New Black, e com algo jamais feito na TV aberta: a temporada inteira estaria disponível no mesmo dia!

Com o tempo, a Netflix passou de distribuidora de conteúdo para um grande player na produção de séries e filmes sendo indicada aos principais prêmios do setor como o EMMY e o Oscar. Não só isso, começou a distribuir esse conteúdo para o mundo inteiro, abrindo as portas para negociar conteúdos locais para serem vistos pelos mundo inteiro. Começou com a Coréia, Japão, Inglaterra, Espanha, Itália, Brasil e Turquia, até recentemente trazer produções africanas para o seu acervo.

E aí entra a primeira parte da metáfora com a água. Muitos estúdios forneciam conteúdo para a Netflix, onde se podia assistir desenhos da Disney, produções da Warner, séries da ABC e CBS, e muito mais. Ao que tudo indica, e isso não é uma especulação de mercado, o sucesso dessa pequena grande empresa, começou a incomodar esses gingantes players como, por exemplo, a Disney.  Em 2017, a empresa tinha fechado com a Netflix para a exibição de vários de seus sucessos no cinema fora do território americano. Acordo esse que foi para o vinagre quando a empresa do camundongo anunciou que entraria no mercado streaming com seu próprio canal, o Disney+.

A iniciativa da Disney aconteceu logo após a compra da 20th Century Fox  por 74 bilhões de dólares. Isso acendeu o estopim para que outras empresas também olhassem o canal de streaming como uma outra fonte de água cristalina.

Outro efeito dessa decisão foi o estimulo direto ou indireto de outras grandes companhias entrarem no que se convencionou chamar de Guerra do Streaming. A  antiga Time Warner, atua WarnerMedia, foi comprada pela gigante das telecomunicações AT&T, decidindo lançar seu canal streaming HBO Max. A Apple transformou seu dispositivo de acesso, o Apple TV, no Apple TV+, com o lançamento em novembro passado de diversos conteúdos inéditos em séries e filmes.

Nessa competição, entraram a Amazon Prime Video com várias produções originais, a CBS colocou mais dinheiro para divulgar seu serviço CBS All Access, trazendo fãs de The Good Wife para ver The Good Fight, e os trekker para ver novas séries do universo de Jornada nas Estrelas como Discovey e Picard.

Agora com o Peacock, da NBCUniversal, os executivos começaram a sentir sede. O motivo é simples e até obvio demais: quem paga a conta é o assinante e que não parece estar disposto a ter todos os serviços streaming no seu orçamento. A mesma coisa está acontecendo no Brasil, com o surgimento de novas plataformas como o Globoplay, o Starzplay e até mesmo a Apple TV+. Será que a entrada de outras empresas como Disney+ e HBO Max terão como dividir essa água?

Veja o caso dos canais por assinatura. Muitos deles têm serviços on demand mas que o assinante tem que pagar além do preço da assinatura, como é o caso da HBO, Telecine, Fox. Nas operadoras de Tv por Assinatura, já existe oferta dentro dos serviços, das plataformas streamings como o Looke, Amazon e Netflix, também com o pagamento extra. E nem se pode dizer que esses canais irão substituirão o serviço de assinatura, por que para ver com qualidade filmes e séries pela Netflix ou Amazon, é necessária banda larga, que é oferecida pela maioria das operadoras de telefonia.

Está muito claro que essa guerra poderá se perder no campo de batalha por que, assim como no Brasil, o objetivo dessas empresas é um só: o dinheiro do bolso do consumidor. E com a catástrofe gerada pela pandemia de COVID-19, vai faltar água para muita gente. Já existem alguns estudos sendo feito sobre o impacto no bolso do consumidor americano a quantidade de canais de streaming, principalmente por que nenhum deles pode oferecer todo o conteúdo.

E como escolher o serviço que mais atende o seu desejo de consumo? Por mais que eles sejam individualmente acessíveis, com uma média de 25 reais por assinatura mensal, quanto o consumidor está disposto a pagar para ter aquilo que deseja ver? E mesmo com ofertas interessantes como a Apple que deu um ano de graça da Apple TV+ para quem comprou qualquer um de seus dispositivos em 2019, depois desse ano, o conteúdo oferecido é o suficiente para pagar uma assinatura?

O Peacock, o mais recente exército que entrou na guerra, tem planos para expandir seu território para Europa e Ásia, acompanhando a Disney e a WarnerMedia. No território americano, o canal oferece 13 mil horas de conteúdo para quem assinar e não esquentar a cabeça com os comerciais que estarão distribuídos neste conteúdo. Quem não quiser isso, pode pagar 5 dólares mensais e terá acesso à produções exclusiva e mais de 20 mil horas de conteúdo do acervo da NBCUniversal.

Não existe uma conclusão por que ainda estamos nadando em dados inéditos sobre esse setor, que é também uma floresta virgem a ser descoberta. Descoberta sim, devastada não, caso os executivos que pensaram em aproveitar a boa ideia da Netflix não enxerguem que o poço tem água suficiente, mas não ilimitada.