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CRÍTICA | O Grito, nova versão do original de Takashi Shimizu, deixa a desejar

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CRÍTICA | O Grito, nova versão do original de Takashi Shimizu, deixa a desejar
Será que é bom?

Não faltam sustos e tensão contínua, mas o resultado final não chega a criar aquela sensação positiva de querer que o filme acabe logo por medo ou cansaço.

Filme de terror é um gênero complicado. Seu objetivo principal é, claro, provocar aquela sensação intensa durante um filme que ao seu final você não vê a hora de todas as luzes acenderem para tirar aquela impressão de que ainda está com medo do que viu. Foi-se o tempo que o simples olhar do protagonista era o suficiente para fechar os olhos e esperar que a cena mude. Hoje, é preciso criar todo um clima para que o espectador mergulhe na ideia do filme e viva durante pouco menos de duas horas, um terror memorável.

Esse não é, infelizmente, o caso de O Grito, a segunda versão do original de Takashi Shimizu, Ju-on, a sinistra e incrível história de uma maldição de uma casa onde pessoas morreram de forma brutal e seus espíritos continuam no lugar matando todos que entram lá. O primeiro filme feito no Japão em 2002, teve uma repercussão tão grande pelo seu estilo criativo, que Takashi acabou dirigindo a versão americana dois anos depois, estrelada por Sarah Michelle Geller (Buffy).

O novo filme usa a história dos dois filmes para contar essa nova história, escrita pelo próprio Takashi. E já começa mostrando Fiona Landres (Tara Westwood) que acabou de sair casa onde pessoas morreram de forma violenta e ela tem uma experiência sobrenatural momentos antes de embarcar de volta para casa, no interior dos EUA. Lá, ela se reencontra com o marido e a filha e o pesadelo começa.

O diretor Michael Pesce, que começou sua carreira fazendo o curioso terror Os Olhos da Minha Mãe (2017) optou com contar a história bem diferente do estilo de Takashi, que fez os primeiros O Grito mais linear. Na nova versão, Pesce decide fragmentar a história, mostrando o poder sobrenatural da casa original acompanhando a personagem de Fiona e o trágico destino dos outros personagens da história. E sim, a casa em Tóquio também tem ramificações importantes no novo filme.

Logo, vamos conhecer várias tragédias envolvendo o sinistro lugar e os hediondos espíritos maligno que lá habitam e de lá, tecem suja teia mortal contra todos os que ousaram entrar na casa cheia de ódio. Ou seja, além de conhecermos um pouco do que acontece com Fiona e sua família, o filme mostra as terríveis ramificações com os agentes imobiliários que querem vender o imóvel, o casal de idosos que vai morar no lugar, e a policial que vai investigar o que aconteceu com eles e descobre que seu destino mudou mortalmente.

Em relação ao filme original japonês e a primeira versão americana, no novo Grito tem a qualidade de não dar sustos aleatórios como nas cenas que algum personagem anda sozinho num corredor e um fantasma surge do nada para mostrar que ninguém está sozinho. Mas consegue criar tensão necessária quando o momento exige a catarse de um bom susto. E esse costuma elevar a aumentar a adrenalina, que na maior parte do filme, nega esse componente até chegar o final do filme.

Independente do ritmo, esse novo O Grito tem o mérito de usar o material original para criar três histórias tensas, com personagens que descobrem que estão rumando para o abismo, quando é tarde demais. O filme tem sua violência gráfica bem articulada, principalmente para enganar o público achando que o diretor foi longe demais. No terror, nada é longe demais.

O longa estreia dia 13 de fevereiro nos cinemas.