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ENTREVISTA | Conversamos com Daniela Ruah de NCIS: Los Angeles

Divulgação
ENTREVISTA | Conversamos com Daniela Ruah de NCIS: Los Angeles
O casal Densi terá desafios na nova temporada de NCSI: Los Angeles

Conversamos com a atriz de NCIS: Los Angeles sobre o futuro de Kensi, maternidade, trabalho e o que pode acontecer na próxima temporada.   

A formação de casais nas séries é bem comum, e manter os personagens em compasso de espera, uma das técnicas mais antigas para gerar interesse do público. Foi assim em JAG – Ases Invencíveis (1995), mas não em uma de suas derivadas, NCIS – Los Angeles, onde Kensi, interpretada por Daniela Ruah, e Deeks, papel de Eric Christian Olsen, foram em frente e se casaram na décima temporada. Desde então, o assunto filhos passou a surgir nos diálogos dos personagens.

Mas, seria viável uma personagem de ação ser também mãe? Falamos sobre isso com Daniela Ruah por telefone, direto de Los Angeles, onde a atriz cumpre a quarentena contra o coronavírus.

“É algo que tem sido muito discutido ao longo da temporada”, comenta a atriz sobre a possibilidade do casal Densi – ganhar um acrônimo é outra prova do interesse do público – ter um bebê. “Deeks está pronto para se acomodar e ter filhos e Kensi está ciente de que ela teria de, pelo menos por algum tempo, deixar o trabalho de campo e talvez dedicar-se ao trabalho interno, afastar-se do perigo e tomar conta do bebê pelos primeiros anos. É uma conversa interessante, porque nós temos mães na vida real que trabalham nas forças policiais. Nós temos mães que trabalham no corpo de bombeiros e fazem trabalhos perigosos, correm riscos, e você não quer mandar a mensagem, por exemplo, de “ah, se você se torna mãe, você não pode fazer esse trabalho”, ou de que “você não deveria fazer esse tipo de trabalho”. Há muitos pais e mães ocupando funções de risco potencial”, continua Daniela. “É uma linha muito fina. Acho que é algo que os nossos produtores e roteiristas, e até mesmo nós, temos de analisar e pensar qual seria a resposta correta.”

A decisão, segundo Daniela, afetaria a identidade da personagem. “Para Kensi, essa vida é tudo o que ela conhece. Apesar de todo o perigo, ser uma agente do NCIS é o que a identifica. Claro que, quando ela se tornar mãe, e sei disso por experiência pessoal, quando você se torna uma mãe, é toda uma parte de você que muda. Obviamente, Kensi não sabe, não entende isso ainda. Então, não há uma resposta correta. Acho que no momento em que ela decidir engravidar, eles terão de pensar no que fazer profissionalmente”.

Os roteiristas podem também escolher uma via mais dramática para os personagens. “Até o momento, Kensi e Deeks não conseguiram iniciar esse processo. Pelo que a gente sabe, eles podem ter de lidar com infertilidade, eles não sabem. O corpo dela já passou por tanta coisa, a gente nem sabe se o corpo dela ainda tem essa capacidade. Nós ainda não temos as respostas, todas as perguntas estão em aberto. Talvez na próxima temporada a gente enfrente essa questão, mas, até agora, está tudo em aberto. E nós queremos ter o máximo de respeito possível com as mães e pais que trabalham em funções de segurança mesmo tendo filhos”.

A próxima temporada pode também trazer um desafio novo para Daniela Ruah. A atriz deixou claro que não se vê como uma futura showrunner, profissional responsável pelo comando geral de uma série. Mas, pode assumir a direção de um episódio.

“Pode ser divertido e interessante assumir esse papel. Acho que é definitivamente uma possibilidade. Eric (Christian Olsen, cunhado de Daniela na vida real) escreveu um roteiro para um episódio na 11ª. temporada, chamado Mother, e é um episódio brilhante, que ele escreveu em parceria. E ele trabalhou no roteiro por muito tempo. Chris O’Donnell já dirigiu, então, sim, eu me vejo dirigindo. Escrevendo, não, mas dirigindo, certamente”.

Criada em Portugal, onde iniciou a carreira ainda adolescente, Daniela já apareceu falando em português em alguns episódios de NCIS – Los Angeles e é a voz da princesa Merida na dublagem portuguesa de Valente (2012). O que é interessante para os fãs internacionais, no entanto, pode ser um empecilho para encontrar trabalho nos Estados Unidos, onde o público é atento a qualquer sotaque estrangeiro. Algo que a atriz sente que está mudando desde quando ela chegou ao país.

“Acho que no momento estamos tendo um movimento muito interessante onde a diversidade na produção de cinema e TV é muito importante. E todo mundo parece entender que a audiência, o que o público deseja cada vez mais, é um elenco que reflita o mundo real”, diz Daniela. “Os Estados Unidos é um belo país cheio de diversidade, você tem latinos, afro-americanos, asiáticos, e as pessoas querem ver isso nos personagens dos filmes e séries que assistem”.  Daniela, no entanto, aponta que ainda é um ambiente bastante competitivo. “Ainda há alguma dificuldade, quero dizer, é sempre difícil, não importa a situação, mas, embora eu esteja numa série, não há garantias de que eu terei trabalho para o resto da minha vida. O sucesso de hoje não é garantia para o sucesso de amanhã. Eu vivo um dia de cada vez. Mas, eu acho que as pessoas querem ver mais diversidade, então, talvez, quem sabe.”

Mas é pouco provável que NCIS – Los Angeles tenha um episódio ambientado em Portugal. “Acho que não está nos planos, caramba, eu adoraria” comenta Daniela, lembrando que as histórias podem levar os personagens ao exterior, mas as filmagens nunca deixam Los Angeles.  “Então, não é como se eu pudesse voar até Portugal, eles teriam de construir o país em algum lugar. Felizmente, Portugal é muito pacífico, é um país que não se envolve em conflitos, e agradeço que continue assim, então seria necessário resolver uma série de problemas para termos uma história por lá”, comenta Daniela.

Renovada para a 12ª. temporada, NCIS: Los Angeles, assim como o restante das séries e filmes, segue ainda sem data definida para o retorno ao trabalho, o que mantém as estreias das futuras temporadas em compasso de espera. Também é incerto o impacto que o coronavírus terá nos roteiros, situação similar ao que aconteceu após os ataques terroristas de 11 de setembro. Produções envolvendo médicos e agentes da lei, como NCIS e suas derivadas, podem inserir o assunto em seus roteiros, bem como as comédias. Por outro lado, roteiristas e produtores podem deixar a pandemia de lado para atrair um público cansado do assunto e que vem sendo bombardeado por documentários, especiais e maratonas sobre o tema.

No início de abril, a NBC cancelou a exibição de um episódio de New Amsterdam (2018) em que o hospital nova-iorquino que serve de cenário para a série enfrenta uma epidemia de gripe, com a equipe médica trabalhando até a exaustão, excesso de pacientes e cidadãos em quarentena. Filmado antes da pandemia chegar aos Estados Unidos, o episódio foi considerado inadequado para um momento em que o roteiro deixou se ser ficção. Outro ponto a considerar é a marca temporal da pandemia. Citar o assunto deixa claro em anos futuros que um episódio é ambientado em 2020, o que pode prejudicar as reprises.

Avisada sobre a renovação de NCIS: Los Angeles apenas um dia antes da notícia ser divulgada à imprensa, Daniela Ruah diz que não tem informações sobre o destino dos personagens. Mas, além da possibilidade de assumir a direção de um episódio, a atriz imagina se é hora dos agentes pensarem no futuro. “Acho que em algum momento eles terão de treinar os agentes que vão substitui-los”, aponta a atriz.

NCIS: Los Angeles é exibida pelo canal A&E às sextas-feiras, 21h10.