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Diretor de Batman & Robin, 8mm e Tempo de Matar , Joel Schumacher, falece aos 80 anos

Divulgação
Diretor de Batman & Robin, 8mm e Tempo de Matar , Joel Schumacher, falece aos 80 anos
RIP Joel Schumacher

O cinema perdeu Joel Schumacher que começou sua carreira como figurinista, produziu séries para a TV, mas assinou alguns grandes momentos do cinema

Não seria justo dizer que Joel Schumacher perdeu a mão como diretor ao assumir a franquia Batman da Warner Bros. quando Tim Burton anunciou que não faria os próximos filmes após Batman – O Retorno. Ele, que faleceu aos 80 anos de idade, tem motivos para não se esquivar do público, especialmente dos fãs da trilogia de Nolan do Cavaleiro das Trevas, por que construiu uma carreira com filmes diferentes e populares entre as décadas de 80 e 90.

A paixão pelo cinema nasceu enquanto estava cursando o Instituto de Tecnologia da Moda de Nova York. Foi lá que acabou sendo indicado para o seu primeiro trabalho como figurinista no filme de 1972, Play It as It Lays, estrelado por Anthony Perkis e Tuesday Weld. Conhecer Woody Allen também foi um passo importante, trabalhando em O Dorminhoco (1973) e Interiores (1978).

Decididamente apaixonado pelo cinema, Joel embarcou nessa viagem e não saiu mais. Sua primeira direção foi no telefilme The Virginia Hill (1974). Já sua entrada na tela grande ocorreu com a paródia A Incrível Mulher que Encolheu (1981), estrelada por Lily Tomlin, mas que não fez muito sucesso e acabou indo direto para a TV aqui no Brasil.

É claro que para sair do anonimato, Schumacher teria que ser notado em seus futuros projetos, trabalhos onde colocaria suas marcas registradas como  escolher elencos com atores jovens e não utilizar filtros, que pode ser visto em dois de seus grandes sucessos de carreiras: O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas (1985) e Os Garotos Perdidos (1987).

Nos dois filmes, vemos o surgimento de grandes nomes do cinema e da TV no começo de suas carreiras como Rob Lowe (911-Lone Star), Demi Moore (Ghost: Do Outro Lado da Vida), Judd Nelson (Clube dos Cinco), Emilio Estevez (Clube dos Cinco), Ally Sheedy (X-Men: Apocalipse), Mare Winningham (Outsider), Andie MacDowell (Feitiço do Tempo), Kiefer Sutherland (24 Horas) e Andrew McCarthy que vem dirigindo vários seriados como The Blacklist e 13 Reasons Why.

Nos anos seguintes, Joel Schumacher continuou mostrando seu estilo de direção com filmes populares e de ressonância na crítica, como Linha Mortal (1990), onde mostra um grupo de jovens médicos fazendo experimentos com a quase morte, mas abrindo uma dimensão sombria sobre o próprio passado. Esse filme foi um dos sucessos iniciais da carreira de Julia Roberts, que no mesmo ano emplacou Uma Linda Mulher.

Dois anos depois, o diretor jogava o quase irreconhecível Michael Douglas, como um homem à beira de um ataque de nervos por conta de sua separação, numa rota de colisão com a morte em Um Dia de Fúria. Um filme tenso do começo ao fim, mostrando a capacidade do diretor de conduzir uma simples história com personagens à beira do abismo.

Joel também fez duas brilhantes adaptações dos livros de John Grisham, O Cliente (1994), que deu uma indicação ao Oscar para Susan Sarandon; e Tempo de Matar (1996), agora revelando o talento de Matthew McCounaughey, ao lado de Sandra Bullock e Samuel L. Jackson, com uma participação mais do que especial de Kiefer Sutherland.

Mas o grande engasgo em sua carreira foi provocado por sua visão colorida do personagem Batman, assim que assumiu a franquia do Cavaleiro das Trevas no cinema, abandonada por Tim Burton após Batman (1990) e Batman – O Retorno (1992). Segundo declarou inicialmente, sua ideia era fazer filmes com esse personagens, não para agradar fãs mas além deles, fãs de cinema em geral.

Com Val Kilmer, fez Batman Eternamente, onde colocou Jim Carrey e Tommy Lee Jones atuando como dois dos mais importantes vilões da vida de Batman, O Charada e Duas-Caras, respectivamente. Ao mesmo tempo, decidiu que esse era o filme para introduzir Robin, o garoto-prodígio. De Garoto, Chris O’Donnell não tinha nada, ao entrar no filme como um jovem quase beirando os 20 anos, que perdeu os pais e é “adotado” por Bruce Wayne.

Batman Eternamente arrecadou 300 milhões de dólares dando mais carta branca para o diretor que, extrapolou todas as medidas em Batman e Robin (1997). A primeira delas foi deixar cada vez mais estranha a relação entre a dupla, agora com George Clooney como Batman, mesmo quando ele introduz na trama a Batgirl, interpretada por Alicia Silverstone. Sem contar com o tsunami de vilões como o Senhor Frio (Arnold Schwazenegger), Hera Venenosa (Uma Thurman), Dr. Florônico (Jonh Glover) e Bane (Jeep Swenson).

Schumacher e O’Donnell estiveram no Brasil para o lançamento do filme. Sua resposta, ao ser indagado por que fez filmes tão coloridos e cheio de piadas sem graça, que lembravam o seriado dos anos 70, enfaticamente declarou que fez os filmes para toda a família e não para um grupo de fãs. Mas a repercussão mundial do filme foi muito ruim para sua carreira. George Clooney, numa entrevista, disse que o único filme gay que ele fez, foi Batman e Robin.

A carreira não foi prejudicada a ponto de não fazer mais nada importante. Pelo contrário, ele ainda dirigia obras interessantes como 8mm (1999), Por um Fio (2002), a adaptação da ópera-rock O Fantasma da Ópera (2004), que teve 3 indicações ao Oscar, o suspense Número 23 (207), com Jim Carrey; e Renascido das Trevas (2009).

Curiosamente, quando a Warner Home Video decidiu lançar as edições especiais em DVD de Batman Eternamente e Batman e Robin em 2005, a grande surpresa foi um depoimento de Joel Schumacher, onde ele fazia um ‘mea culpa’, especialmente do segundo filme. Um depoimento que vem sendo levado muito à sério por vários diretores quando assumem alguma adaptação de personagens de quadrinhos.

Passado o ‘mea culpa’, Schumacher continuou trabalhando, fazendo videoclips e dirigindo alguns episódios de House of Cards (2013), produção do amigo pessoal David Fincher. Também produziu a série Do Not Disturb: Hotel Horrors, em 2015.

O cinema vai sentir a falta da criatividade popular de Joel Schumacher, que faleceu em Nova York, vitima de câncer aos 80 anos.