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CRÍTICA | Warrior Nun chegou na Netflix com clichês que divertem

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CRÍTICA | Warrior Nun chegou na Netflix com clichês que divertem
Mesmo com a tradicional "jornada do herói", a série oferece um bom divertimento. Confira crítica sem spoilers!

Em Warrior Nun temos freiras altamente treinadas, em armas e artes marciais, para enfrentar os demônios soltos do inferno.

Além da DC Comics e da Marvel, existem várias outras pequenas e médias editoras que vêm tendo sucesso com suas publicações com um outro tipo de personagem. Van Helsing, da Zenescope, foi adaptada para a TV numa série para o SyFy, sobre uma descendente do famoso caçador de vampiros enfrentando essas criaturas nos dias de hoje. Já Wynonna Earp, também desenvolvida para o canal SyFy americano, mostra essa descendente do famoso delegado do Velho Oeste, Wyatt Earp, enfrentando criaturas das trevas das histórias criadas pela IDW Comics.

Agora chegou a vez de Warrior Nun, que chegou na Netflix, e que é baseada na série Warrior Nun Areala, publicada pela Antarctic Press desde 1994. A história criada por Ben Dunn, mostra a criação da Ordem da Espada Cruciforme em 1066, para as primeiras cruzadas, liderada pela irmã Areala, que deixa a vida pagã para lutar em nome do todo-poderoso contra os infiéis. A Ordem é formada por freiras guerreiras que defendem a Igreja Católica de seus agressores, místicos ou não.

O produtor Simon Barry, também responsável por Van Helsing, pegou a ideia das freiras guerreiras para criar a série original para a Netflix (que também exibe Van Helsing e Wynnona Earp). A diferença é que ele cria a personagem de Ava Silva, interpretada pela jovem atriz portuguesa, Alba Batista. Durante um ataque de forças das trevas, uma das freiras guerreiras deveria passa o halo do anjo Adriel, para outra guerreira. Mas para evitar que pegasse o halo, que possui poderes inimagináveis, as freiras decidem colocá-lo no corpo de Ava, morta misteriosamente.

Acontece que os poderes do Halo (sim, exatamente o que fica sobre a cabeça de todos os anjos) são tão fortes que conseguem reviver a garota, deixando-a virtualmente indestrutível e com outros poderes que são revelados no decorrer da primeira temporada. O mais interessante na série é que Ava não quer saber desse tipo de responsabilidade. Órfã, ao perder a mãe num acidente de carro, ela viveu mais de dez anos numa cama de hospital, paraplégica. Mesmo com os insistentes pedidos dos líderes das Freiras Guerreiras para que ela assuma suas responsabilidades na Ordem, ela foge.

A série foi filmada na Espanha, nas regiões históricas de Málagua, Andalucia e Sevilla, aproveitando como cenários vários palácios com mais de mil anos. Ava é perseguida tanto pelas Guerreiras como por uma multinacional farmacêutica que quer usar os poderes da garota como fonte de energia para abrir um portal dimensional. Sem contar que pode existir uma conspiração dentro do Vaticano para acabar com a Ordem.

Como vem acontecendo em várias séries dessa nova era da produção streaming, Warrior Nun ganha força aos poucos, episódio a episódio, com viradas no jogo do interesse sobre o Halo de Ava, sobre a conspiração católica e, até mesmo, o desejo de Ava em viver uma vida normal. O problema é que para conseguir isso, Ava teria que abrir mão dos poderes do Halo que, entre outras coisas, a mantém andando.

Esses constantes questionamentos e cobranças, mostram que a personagem não está pronta para assumir nada sobre sua própria vida. O que faz com que a construção de uma futura heroína passe pela tradicional “Jornada do Herói” descrita pelo antropólogo Joseph Campbell. Um exemplo disso é Luke Skywalker, no primeiro Guerra nas Estrelas, também conhecido como Episódio 4. Ava vai passar por muita coisa até descobrir sua importância na história.

Warrior Nun é puro divertimento, com um visual fantástico, onde as principais cenas foram filmadas ao ar livre, sob o impecável cenário espanhol. Mesmo com os tradicionais clichês de uma série de aventura e de fantasia, essa produção sabe que o que conta no final é saber contar uma boa história, com personagens interessantes e boas interpretações. Destaque para a jovem portuguesa Alba Batista, que domina a cena mesmo quando é irritantemente egoísta.

A primeira temporada de Warrior Nun com dez episódios está disponível na Netflix. E com muita torcida para a segunda temporada.