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CRÍTICA | Hollywood – A Era de Ouro utópica de Ryan Murphy para a Netflix

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CRÍTICA | Hollywood – A Era de Ouro utópica de Ryan Murphy para a Netflix
Ryan Murphy e suas ótimas críticas e reflexões sobre Hollywood na série... Hollywood!

A nova série da Netflix de Ryan Murphy retrata uma Hollywood alternativa em sua Era de Ouro.

E se a primeira protagonista negra do cinema americano estrelasse um filme nos anos 1940? E um ator ou roteirista se assumisse homossexual na mesma época?

A série de Ryan Murphy (responsável por Glee, Pose, The Politician, American Horror Story e trocentas outras produções de sucesso) e Ian Brennan mostra justamente os bastidores marginalizado da indústria cinematográfica estadunidense, com aspirantes a estrelas entre figuras reais como Rock Hudson (Jake Picking), astro de Assim Caminha a Humanidade (1956), Anna May Wong (Michelle Krusiec) e Hattie McDaniel (Queen Latifah), primeira atriz coadjuvante afro-americana a ganhar o Oscar, por “E o Vento Levou” (1939).

É assim que o ex-soldado Jack Castello (David Corenswet), representando o galã tradicional da época, passa a se prostituir enquanto tenta estrear como ator. Ao longo de Hollywood, ele conhece Archie Coleman (Jeremy Pope), um roteirista negro e gay, o diretor Raymond Ainsley (Darren Chris) e a influente Avis Amberg (Patti LuPone), que tentam fazer o filme ‘Meg’ ser rodado com Camille Washington (Laura Harrier), uma atriz negra, inspirado na história real de Peg Entwistle, jovem atriz que cometeu suicídio, pulando da letra H do letreiro de Hollywood, em 1932.

A ambientação e o figuro são de tirar o chapéu, transportando o espectador direto para 1948, momento em que clássicos saiam que nem água dos grandes estúdios. Hollywood era dominada pelo Star System (sistema de contratos exclusivos e de longíssimo prazo assinados por jovens atores e atrizes com um determinado estúdio, que passava a controlar a sua carreira, cuidando de sua imagem e decidindo que filmes fariam, com o objetivo de ser uma imagem do estúdio, alimentando a publicidade, personificando o glamour) e pelo Studio System (sistema que consolidou a figura do produtor como peça fundamental da produção cinematográfica).

Sendo um período conservador, com valores preconceituosos, sociedade patriarcal e que se recuperava da Segunda Guerra Mundial, Dylan McDermott se destaca no papel de Ernie, dono de um posto de gasolina que além de encher tanques, também provêm serviços de prostituição para alguns fregueses. Ele, assim como muitos personagens, foi para Los Angeles em busca do sonho de se tornar uma estrela, mas que apesar de pequenas pontas em filmes mudos, sua carreira não deslanchou.

Outro nome que brilha é Jim Parsons, na pele de Henry Wilson, um real e importante agente de talentos bastante conhecido por criar estrelas de cinema masculinas em troca de favores sexuais (praticamente o Harvey Weinstein homossexual de sua década). Sem escrúpulos e falas afiadas, ele é apresentado como o suposto vilão da história e, apesar de ser humanizado, esse processo acontece um pouco rápido demais.

Infelizmente as personagens femininas não tem tanta força com exceção de Avis, esposa do dono do estúdio de cinema.

Quanto ao roteiro, existem algumas falhas como diálogos melodramáticos demais. Um ponto interessante que poderia ter sido mais explorado é o fato de que Raymond defende a diversidade com a justificativa de que é meio filipino, mas não sofre preconceito por conta disso, já que facilmente se passa por branco.

Hollywood, é uma homenagem à sétima arte e, ao abordar questões de raça, sexualidade e gênero, retrata o cinema americano de forma utópica, mais inclusiva e positiva. Retornando as perguntas iniciais desse texto, tanto a indústria cinematográfica quanto a sociedade, provavelmente, aceitariam melhor a diversidade e muitos já se veriam na tela e representados de maneira mais adequada.