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CRÍTICA | Control Z é uma série sobre bullying sem “mimimi”

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CRÍTICA | Control Z é uma série sobre bullying sem “mimimi”
Que puta série, galera! Um suco no estômago acompanhado de um pelo tapa na cara!

Control Z chegou na Netflix e retrata as consequências do bullying escolar sem ser pedante e descartando todo e qualquer discursinho de prateleira que vemos nas redes sociais

Criada por Carlos Quintanilla e produzida pela Lemon Studios para a Netflix, Control Z já está disponível na plataforma e te prende desde o primeiro episódio. Aqui, acompanhamos a história de uma escola onde um hacker libera informações sigilosas sobre alguns alunos, incluindo Isabela de la Fuente (Zión Moreno) revelando que ela é trans. A jovem, que namora o bad boy Pablo Garcia (Andrés Baida), vira o centro das atenções de todos, causando um reboliço no dia a dia da escola. Para piorar, o tal hacker consegue acesso à todos os alunos e passa a manipular um a um sob ameaças de desvendar mais segredos. Afinal, em um ambiente como o colegial – aparentemente – todos os alunos mais populares têm segredos.

A escala de tensão vai de 0 a 10 em dois episódios

Num formato semelhante à Gossip Girl, a base da trama é um grupo de playboys do colégio que vira alvo de uma pessoa que simplesmente quer acabar com o teatrinho dos riquinhos. Porém, Control Z tem um diálogo riquíssimo, personagens muito mais interessantes e sua narrativa não é pausada para flashbacks explicativos sobre temas hoje bem polarizados e já problematizados como inclusão social, racial ou de causas LGBTQ+.

Toda a trama gira em torno do próximo alvo do hacker e da corrida contra o tempo de Sofía Herrera (Ana Valeria Becerril) e Javier Williams (Michael Ronda) de tentarem desvendar a identidade do antagonista.

Sem levantar a bandeira “olha como somos inclusivos”, acompanhamos a intensa trama de Gerry Granda (Patricio Gallardo) que faz um aluno parar no hospital em coma, núcleo este que envolve homossexualidade e opressão; temos a riquinha que está devendo uma grana e precisa de meios não convencionais para levantar uma grana, abrindo espaço para o tráfico e comércio ilegal serem abordados; temos o filho do político corrupto que mantém toda uma imagem mas apanha do pai em casa, e não precisamos saber muito sobre os seus pais; temos a jovem cutter depressiva, sem extensas explicações sobre suas motivações; temos um aluno novo com um passado questionável e, por fim, o diretor de um colégio que parece um banana – #sqn – tentando lidar com as pressões dos pais no meio dessa zona toda.

Control Z, com esse cenário já conhecido em termos de história, inova com diálogos dinâmicos e uma excelente montagem que coloca o espectador para pensar. Soma-se a isso uma trilha sonora deliciosa, atores absurdamente qualificados e uma direção de Alejandro Lozano e Bernardo de la Rosa de tirar o fôlego!

Vale assistir?

Control Z te leva para as consequências do bullying, é enauseante e provocante. O protagonista não é um só, são todos os alunos e como que suas atitudes e escolhas pessoais impactam na sociedade dentro e fora do colégio. A crítica no roteiro de Carlos Quintanilla e sua equipe é propor uma análise fria sobre a falta de freio dos pais para com seus filhos, o uso excessivo de redes sociais para validação de personalidade, pensamentos e atitudes; e sobre a forma ilusória como esses adolescentes se comportam (dentro e fora da escola) para justificar ideologias e causas sem ter conhecimento, fundamento e maturidade para lidar. Control Z coloca os adolescentes em seus respectivos lugares: na sala de aula.

Pesado né? Então assista Control Z na Netflix, certamente estamos ansiosos aguardando a segunda temporada.

Ah! Vale ressaltar que as produções latinas e britânicas têm chamado muito mais atenção do que as americanas. Enquanto 13 Reasons Why, Eu Nunca e até Stranger Things ficam sempre nas temáticas rasas de adolescentes criando personagens extremamente fúteis e super emponderados, Control Z, ELITE, Sex Education ao menos entregam uma profundidade maior sobre a complexidade de ser adolescente nos dias de hoje com discursos estruturados e sem medo de serem criticadas.