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CRÍTICA | Bad Boys Para Sempre reúne Will Smith e Martin Lawrence para uma terceira missão

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CRÍTICA | Bad Boys Para Sempre reúne Will Smith e Martin Lawrence para uma terceira missão
"Bad boys, bad boys Whatcha gonna do, whatcha gonna do When they come for you"

Bad Boys Para Sempre é divertido, mas desnecessário

Buddy cop é um dos gêneros de ação mais duradouros e renováveis do meio. Junte um policial cabeça quente e renegado, um que está prestes a se aposentar ou está “velho demais pra essa m*rda”, um capitão oferecendo 24 horas para resolver o caso e um vilão que jamais existiria no mundo real. Basta criar um atrito entre os heróis para ser resolvido até o terceiro ato e pronto. Máquina Mortífera, Hora do Rush, Homens de Preto, Anjos da Lei e outros inúmeros casos.

O Bad Boys de 1995 foi marcante por alguns motivos. Não é nenhum clássico de crítica, mas foi o primeiro filme dirigido por um tal de Michael Bay que virou uma das figuras mais polarizantes da indústria. Foi também o longa que transformou seus protagonistas de astros da TV para figuras do cinema, em uma época que ainda existia uma distinção nítida entre os dois meios. Will Smith foi por muito tempo um dos maiores campeões de bilheteria do mundo e Martin Lawrence teve uma sequência bastante lucrativa de comédias nas telonas.

Oito anos depois, entra Bad Boys II. Em Chumbo Grosso, Edgar Wright faz diversas homenagens ao filme. Não é difícil de entender. Foi o primeiro filme que Michael Bay fez completamente convicto que daquele momento adiante sua vida seria inteiramente dedicada ao “Bayhem“. Na época, o estilo de direção e montagem do diretor ainda era relativamente novo e nós como seres humanos não havíamos evoluído para ficar fisicamente exaustos assistindo carros capotando, coisas aleatórias explodindo e frases de efeito cafonas.

18 anos depois, temos mais um filme na sequência. Desta vez com um Martin Lawrence que nitidamente não tem físico para filmes de ação, um Will Smith que perdeu bastante espaço como uma garantia de bilheteria, e nem mesmo Michael Bay na cadeira do diretor. Será que deu certo?

Bad Boys Para Sempre

Nasce o neto de Marcus (Lawrence) e ele decide se aposentar da polícia, deixando Mike Lowrey (Smith) frustrado. As coisas complicam quando Lowrey sofre uma tentativa de assassinato conectado a eventos de seu passado. O que sucede é uma longa lista de clichês de filmes de ação de franquias antigas que estão sendo ressuscitadas nos dias de hoje. Mike confronta um mundo que não aceita mais suas atitudes ultra violentas contra o crime, ele precisa ser amparado por um time de jovens policiais com conhecimentos tecnológicos, compostos por atores vagamente conhecidos, em uma tentativa de talvez criar um spinoff com eles, e claro, o vilão conveniente mais popular do momento: cartéis mexicanos.

O que é revelado do passado de Lowrey não aconteceu em nenhum filme anterior, é só informação adicional para avançar a trama. Os personagens novos entram e saem do roteiro conforme a trama encontra alguma utilidade para eles, funcionando mais como NPCs de um game onde o jogador principal ocasionalmente lembra de usa-los. Até mesmo Marcus se torna um personagem sem muita utilidade, raramente aparecendo no filme. A verdade é que parece que Bad Boys Para Sempre começou como um roteiro para outro projeto e foi adaptado para dar continuidade à franquia de Smith e Lawrence.

Os vilões são interessantes, Bad Boys nunca investiu muito nos antagonistas. Sempre foram desenvolvidos para parecerem vilões de quadrinhos causando destruição em massa em Miami, mas Isabel Aretas (Kate del Castillo), a chefona que tem um passado com Lowrey, tem toques interessantes em seu desenvolvimento que, não trazem muito à história, mas pelo menos deixam a trama mais interessante. Seu filho, o ridiculamente chamado Armando Armas (Jacob Scipio) é mal desenvolvido e serve apenas nas cenas de ação.

Por outro lado, a ausência de Bay ajuda a tornar o filme mais palatável. Os diretores novos Adil & Bilall da Bélgica têm um bom olho para montagem de cena de ação e conseguem construir alguns momentos bastante interessantes e criativos. E com certeza de forma que não torna a experiência completamente exaustiva com inúmeros cortes que deixam tudo impossível de acompanhar.

Vale a pena?

Fãs da franquia Bad Boys com certeza não vão sair decepcionados. De resto, Bad Boys Para Sempre é um filme de ação mediano que diverte mais que ofende, mas não aposte que será algo que será lembrado nos próximos meses.

Até a próxima!