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MP 984 é mais Brasília e menos Brasil

MP 984 é mais Brasília e menos Brasil

A MP 984 é uma “medida picuinha”. Ninguém tem dúvida que o Governo Bolsonaro queria mesmo era encher o saco da TV Globo. Antes de qualquer mudança, é fundamental ouvir a opinião dos clubes, atletas, federações, confederações, emissoras e treinadores.

Da forma como foi feita, a discussão terminará nos Tribunais.

Não existia urgência de rever os direitos de transmissão sem uma discussão com todos os profissionais envolvidos. A única urgência é criar problema para os contratos vigentes com a TV Globo. Ficou óbvio.

Algumas ideias da MP 984 são bem-vindas. É positivo que o percentual sobre a receita das transmissões seja repassado direto aos atletas sem interferência dos sindicatos. Concordo que emissoras possam colocar seu patrocínio nas equipes. Não acho ético mas não vejo porque haver proibição em lei. A mudança na vigência mínima do contrato de trabalho do atleta profissional de 90 para 30 dias é super importante.

Não gosto entretanto da negociação “cada um por si”.

Defendo o formato de sucesso da Premier League. Na Inglaterra, a receita proveniente dos direitos de TV é dividida da seguinte forma: 50% é dividido igualmente entre os clubes; 25% é dividido de acordo com a classificação na temporada anterior; 25% é dividido de acordo com o número de partidas transmitidas. O resultado é um campeonato equilibrado com clubes fortes.

Na Espanha, Real Madri e Barcelona dividem o bolo. O resto vira coadjuvante. É isso que queremos para o futebol brasileiro? Uma partida de futebol exige a presença de duas equipes. Flamengo, Corinthians e São Paulo, clubes com maior audiência, não conseguiriam viver sem os outros. Estes clubes já faturam mais com ingressos, patrocínios, produtos… Não faz sentido aumentar ainda mais a diferença técnica.

Quando os clubes brasileiros da Série A tiveram a chance de renegociar os direitos de TV através do Clube dos 13, o deputado petista Andrés Sanchez foi lá e fechou direto com a TV Globo. Cada um olhou o seu lado. Faz parte. A livre iniciativa tem efeitos colaterais. Mesmo assim, melhor o livre mercado a interferência estatal.

A bola está com o Congresso e o futebol com mais Brasília, menos Brasil

 

 

 

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